Sobre sentimentos...
Eu amo muito. Eu amo demais. Mas ninguém sabe disso, porque eu amo tanto que finjo não amar nada, só para não me machucar.
O meu coração dói de tanto sentir, literalmente (e sim, eu sei usar essa palavra). Ele dói quando eu vejo um sorriso muito bonito. Ele dói quando conheço alguém incrível. Ele dói de felicidade quando eu vejo um casal de mãos dadas. Ou um pai brincando com o filho. Ele dói quando quero abraçar alguém, mas não posso. Ele dói quando alguém está sofrendo e eu não posso fazer nada a respeito. Ele dói quando gosto muito de alguém, porque eu sei que não posso carregar todo mundo comigo pelo resto da vida. Ele dói quando penso que muitas das pessoas que eu tenho hoje irão embora da minha vida, assim como já aconteceu outras vezes.
Meu coração também dói nos momentos bem felizes, porque sei que eles vão acabar. E eu só quero parar no tempo e viver ali para sempre. Então eu tiro fotos mentais das pessoas e dos lugares; tento guardar cada piada, cada risada e cada cheirinho; cada olhar, cada movimento, cada som. E depois dói de novo quando mexo nas minhas muitas memórias e lembro com tantos detalhes das coisas incríveis que eu já vivi e não posso viver mais. É como se elas estivessem vivas dentro de mim e basta um cheiro, uma música ou um lugar para despertar tudo de novo. E seria bom, se isso não passasse de uma lembrança opaca e fraca daquilo que um dia foi vívido e real. Se não fosse só uma sombra daquilo que já passou, na qual eu não consigo tocar.
Às vezes me falta o ar e eu não sei o que fazer com tanto sentimento, a não ser enterrar, ignorar, esquecer, para tentar me proteger de alguma forma. Porque eu amo as pessoas mais do que elas me amam. Eu sofro com perdas mais do que qualquer um. Eu amo lugares e cheiros mais do que o normal. E ultimamente mais parece que de tanto sentir, já não sinto mais nada.
Your love is crashing over me
Drama Queen

Minha mãe diz que eu sou muito exagerada e odeio admitir que ela está certa. Eu sempre coloquei intensidade demais em tudo. Não é fácil ser assim, sabe? Você se machuca mais, qualquer cortezinho dói. Me lembro que aos 10 anos tempestade em copo d'água era a minha especialidade. Quem eu quero enganar? Essa é a minha especialidade até hoje! Talvez eu tive muita inveja daquelas novelas mexicanas bem bregas e quis transformar a minha vida em uma. Qualquer coisinha é motivo de reflexão, de encher a cabeça procurando sentido. Uma conversa já é desculpa para questionar a vida, as amizades, as minhas escolhas. Às vezes esqueço que a vida não foi feita para ser superestimada nem explicada. A vida é só a vida, sabe? Tem erros, tem mais erros, tem dúvida, tem mistério, tem coisa jogada ao ar. Tem aquele frio na barriga de não conseguir decifrar o que as pessoas sentem quando te vêem ou quando conversam com você. Por que que graça teria se todo mundo já viesse com seus sentimentos escritos na testa?
Na maioria do tempo é difícil para mim ser assim, leve. Como boa dramática, minha cabeça sempre dá um jeito de aumentar o lado ruim das coisas. No meio daquele monte de palavras boas, no meio daquele amor todo, ela consegue achar o erro, ela acha aquela palavrinha que estava ali seca, sem graça, sem vida, sem sentimento. E isso fode todo o resto. Porque na minha vida suspeita é sinônimo de tristeza. Eu preciso de um lugarzinho seguro para morar. Viver esperando o momento em que as pessoas que você mais ama vão te dar as costas e te deixar ali, em pé, com uma mala de coisas para falar e um monte de sentimento condensado no coração não é justo. Deviam inventar uma lei que proibisse isso de ir embora sem dar tchau, deixar de amar sem ensinar o outro a fazer o mesmo. É que tem gente que assim como eu, dramatiza. Faz aquela partida ser o fim do mundo, ser a dor mais forte que já sentiu. Faz a perda ser um buraco no peito que impede o ar de entrar nos pulmões. Viu só? Sou feita de drama.
Eu queria que pelo menos a maior parte da minha vida fosse assim do jeitinho que me sinto hoje. Suspirando pelos cantos, dançando sozinha no meio da sala, rindo para o espelho e sentindo o coração apertadinho dentro do peito, de tanta felicidade. Tudo isso porque a minha mente deu descanso e não quer mais desvendar cada fato do meu cotidiano. Ela decidiu aceitar tudo aquilo que não posso controlar. Decidiu amar quem eu tenho do meu lado e parar de tentar ganhar de volta aqueles que bateram a porta sem olhar para trás. Me sinto desarmada, pela primeira vez em três anos. É assustador. Parece que a qualquer momento alguém vai chegar pedindo as contas dessa alegria toda. Ou alguém vai sumir, levando tudo o que eu sou. De qualquer jeito, me recuso a colocar todas as defesas no lugar, porque posso sentir de novo meu coração batendo. Mesmo que bem fraquinho, ele está voltando a ser como era antes de toda aquela dor. E assim a vida até começa a valer a pena.
Pega a solidão e dança
Não teve aviso. Não teve placa de néon piscando na minha frente. Nem a minha intuição me alertou para o que estava por vir. Depois daquela tempestade toda, veio uma calmaria cheia de paz. E eu cheguei a acreditar que dessa vez tudo ía dar certo, que o universo estava alinhando as coisas, cortando as pontas soltas, apagando as palavras não ditas, resolvendo os problemas, diminuindo os dramas, tapando o buracão vazio dentro do meu peito. Até a minha mente ficou mais silenciosa, organizada e eu já não escutava aquela bagunça de pensamentos a mil por hora."And you tried to change, didn’t you? Closed your mouth more. Tried to be softer, prettier, less volatile, less awake… You can’t make homes out of human beings. Someone should have already told you that. And if he wants to leave, then let him leave. You are terrifying, and strange, and beautiful. Something not everyone knows how to love." Warsan Shire
Como se me cobrasse por tudo de ruim que eu já fiz, a vida resolveu chover. Choveu forte dentro de mim, o ano todo e bem no finalzinho, quando eu achei que ía dar sol, choveu de novo. Tempestade daquelas com bastante vento, que sai por aí arrastando tudo o que vê pela frente. Arrastou um tanto de gente para longe, arrastou a leveza que eu comecei a sentir depois de tanto tempo. Aconteceu de novo, sabe? Exatamente a mesma coisa. É sempre o mesmo ciclo. É sempre um minutinho de paz no meio de 23 horas e 59 minutos de agonia. Dói e quem me dera fosse metáfora.
Parece que algum pedaço meu se perdeu pelo caminho e prejudicou o funcionamento de todo o resto. Até o meu coração está desistindo de bater no meio dessa escuridão. Porque foi todo mundo embora, sabe? Cada um arrumou o seu par nessa dança e lá pelo fim da noite voltaram para casa, apagando as luzes do salão. E eu fiquei para trás.
Colocando abaixo alguns muros
Desde que eu me conheço por gente as coisas sempre foram assim, entende? Quero aquilo que me faz mal, aquilo que me machuca, o inalcançável, o mais difícil, o mais misterioso, o que me faz pensar e repensar todos os meus passos em busca de sentido. Gosto do que revira tudo em mim, me deixa de ponta cabeça perguntando onde eu errei e me faz querer ser o melhor que eu posso ser. E o pior que eu posso ser: idiota, perdidamente encantada, daqueles tipinhos que mal conseguem disfarçar. Totalmente viciada, fixada na ideia de que eu quero é ele e mais ninguém. Cega, incapaz de perceber todos os sinais de perigo que praticamente gritam enquanto eu avanço, me avisando que estou prestes a pisar em falso no maior precipício de todos.
Viu? Totalmente clichê. Ridícula. Mentindo para mim mesma. Quem eu quero enganar? Meu coração grita tão alto quando você passa pela porta! Eu desmaio por um segundo quando você me abraça forte e logo volto à realidade, sem ar. E quando vejo seu sorriso, o meu se abre acanhado, como se dissesse que não é páreo para competir com o seu. Não quero beijar mais ninguém. Acho que isso é amor. E eu quero você. Mil vezes você. Um milhão de vezes você. Em todas as vidas que eu tiver.
E ah, só pra deixar claro, o texto não tem quase nenhuma relação com a realidade hahaha /piscando /envergonhado
Submersa
De repente me vi sem controle. E tudo o que eu escrevo agora é sobre você. Não dá para evitar. Você está em cada palavra, em cada canção, em cada pôr-do-sol, em cada tarde chuvosa. E logo eu, que não sentia nada por ninguém, me peguei esquecendo o olhar no seu. Com a mãozinha no rosto, os olhos brilhando e tudo o mais.
Não, eu não te amo. Farei de tudo para não te amar. A gente sabe o momento quando está correndo em direção a maior burrada da vida e eu sinto isso agora. O grito fica mais alto na minha mente a cada passo que eu dou na direção contrária. Cada célula do meu ser implora por você, pelo seu gosto, pelo seu cheiro enquanto a razão tenta me tirar dessa confusão. Tudo me diz que se eu te ter e depois perder, é dor que nenhum remédio consegue aliviar, nem cirurgia vai te tirar de mim.
É como se eu estivesse com as mãos cheias de caixas, conseguindo equilibrar tudo por pouco tempo, esperando o momento delas caírem no chão. Estou colocando um monte de coisas por cima desse sentimento, me mantendo no controle, iludindo a mim mesma. Como se a gente pudesse controlar o que sente! Grande piada. A verdade é que só estou esperando o momento em que vou soltar tudo e deixar se espalhar no chão até te alcançar. Esperando o momento em que você me puxa de volta para perto e não me solta nunca mais.
E a vida é injusta
Revirei a minha pasta de fotos do ano passado. Todos os sorrisos, todas as pessoas. Meus dedos passaram pelo monitor do computador quase que involuntariamente. Eu tinha medo de que quando começasse a chorar, não conseguiria parar. Eu estava certa. Eram duas horas da manhã e eu não fui dormir. Sentei na varanda, coloquei as minhas músicas favoritas e drenei toda a água do meu corpo relembrando um monte de coisa boa que nunca vou ter de volta.
Por muitos meses não derramei uma lágrima. Acho que eu estava totalmente vazia por dentro, paralisada numa tristeza tão profunda que me impedia de sentir qualquer coisa que não fosse um gigante nada. Eu sou muito boa em enganar as pessoas e incrivelmente habilidosa na arte de me enganar. Estava tudo supostamente bem. Eu tinha um plano, as coisas iam se ajeitar. Até aquela noite. Até eu perceber que não, nada ia ficar bem. A vida é injusta com quem faz as decisões erradas.
Não tem volta. Não tem conserto. Não funciona assim. Você não tem o direito de voltar atrás pelo caminho só porque percebeu ali no meio que ele era completamente errado. Você é obrigado a continuar. Engolir o choro, as consequências, engolir aquilo que te machuca e torcer para encontrar uma bifurcação, qualquer coisa que te dê a chance de sair desse labirinto.
New perspective

Seis horas da tarde. Minha hora favorita do dia. É quando todo mundo sai do trabalho, quando as ruas estão entupidas de carros, as lojas se fecham, os bares se abrem e as luzes da cidade começam a aparecer. Gosto de ficar sentadinha na varanda observando a rua, o céu começando a escurecer, as poucas estrelas visíveis despontando. Gosto de ver a correria das pessoas, as luzes das casas e dos apartamentos se acendendo e as crianças voltando para casa depois da tarde inteira na escola. Imagino o que elas serão quando crescer, se terão orgulho do que vão se tornar. Se terão saudades da época que elas carregavam uma mochila cheia de cadernos e lápis-de-cor assim como eu tenho. Se vão sentir falta da tranquilidade, da inocência, dos amigos que se afastam, das histórias engraçadas. Se terão vergonha das modas que já seguiram ou das apresentações do dia das mães.
Eu amo olhar para dentro de apartamentos. Sempre me pergunto como será a vida de quem mora ali, o que eles compram no supermercado, se compram sorvete no fim de semana, se são felizes ou se choram toda noite bem baixinho. Me pergunto se são uma família feliz ou se brigam todos os dias, se o cara a ama de verdade ou se está ali porque não tem lugar melhor para ir. Será que todos os cômodos são mobiliados ou num dos quartos o colchão está jogado no piso? Será que ela tem vários produtos espalhados na pia do banheiro ou organiza eles numa gaveta? Será que ele deixa a tampa do vaso levantada e a toalha molhada na cama?
Me pergunto todos os dias como seria viver na pele de centenas de pessoas. Completos desconhecidos. Quero saber o que se passa na cabeça deles, como eles vêem o mundo, qual a perspectiva de cada um. Quero saber se eles têm os mesmos medos que eu, a mesma insegurança, as mesmas dúvidas. Será que todo mundo é doido assim? Será que todo mundo tem essa vontade louca de sair do corpo por alguns dias e viver algo totalmente diferente? Às vezes as coisas ficam tão difíceis que eu queria ter o poder de trocar de vida. Tem dias que é simplesmente insuportável ser eu.
Cold Hearted
I laugh. He always needed more time. That's why he was always late for everything. I didn't care anymore after a while. He left the bedroom and stopped three steps away from me. I stared at him. The tuxedo, the smile, the hair pointing to different directions. He was perfect. I smiled. My heart skipped a beat. Somehow he noticed that, 'cause he came closer and held me.
- Is everything ok? - he asked.
I felt his cold breathe.
- How could it not be? You're here. And look at you! Perfect.
- Don't be such a liar!
- I'm not lying, you idiot.
I punched him on the shoulder and walked away. He grabbed my wrist and my whole body frozed. His touch was so powerful!
I turned around to face him. He opened that big and perfect smile, with all his teeth on display.
- Damn you! How do you do that? - I screamed.
- Do what?
- This weird effect over me. That's completely unfair.
- It's not. You have the beauty, the smell, the amazing laugh. I have the effect. Fair enough.
I laugh again.
- I love you, did you know that?
He did a surprised face.
- Actually, I didn't.
- I don't say that much.
- I noticed.
- But I'm saying now.
- And I love you hard. I love you so much it hurts me. Do you wanna hear that again? 'Cause you know, unlike you I have a heart.
- Hey! Don't be like that just because I'm not a big fan of public displays of affection.
- I'm sorry. My little cold hearted girl.
- Don't call me that!
- Come on! It's cute.
- Right.
Now it was his turn to laugh at me.
- We should go - he remembered.
- Wait. Just another thing.
I came really close to his ear and whispered.
- Someday I'm gonna tell our kids how much I love you. And when that day comes, I promise you I'll be so freaking sweet and romantic you'll have instantaneous diabetes.
He did a really angry face when I said that. I started to worry. He grabbed my arms and didn't said a thing until we were in the car on our way to the big wedding night. Then, he just couldn't stop laughing. And I knew right there that despite my cold heart, I would always have his warmth.
Apenas aproveitando o surto de criatividade pra postar algo, mesmo que seja em inglês. /feliz /virado /rei
De janeiro a janeiro

Como uma vela de aniversário que insiste em acender mesmo depois de três sopros e um pedido. Como aquela porta que insiste em se abrir com o vento mesmo depois de você ter batido com toda a força. É assim o que eu sinto; insisto em vão na tentativa de acabar com algo que simplesmente não vai embora. Tentando achar falhas nessa ideia estúpida do "nós", colocando todo tipo de defeito em mim e em você, resgatando o passado e fazendo ele atrapalhar o presente. Fugindo, evitando, amontoando um monte de pensamentos avulsos por cima daquele que revira o meu estômago: você.
Outra vez, eu tive que fugir, eu tive que correr pra não me entregar. Covarde, eu sei. Mas você não pode nem cogitar toda a confusão que passa pela minha cabeça agora, todo o tipo de sentimento que invade o meu coração à noite. Evitar toda essa bagunça que é você e te poupar da minha, acredite, é a melhor opção. Eu poderia lutar por nós, mas de que adiantaria? Eu já magoei tantas pessoas e você não precisa ser mais uma delas. Eu não preciso de mais uma pessoa virando as costas e indo embora da minha vida sem ao menos olhar para trás.
Não precisamos um do outro. Não precisamos nem começar essa história, porque sabemos que ela não é nossa. Precisamos de distância e menos sorrisos. Definitivamente, sorrir a cada segundo que eu olho para você não está ajudando em nada. Sem contato, por favor. Sem troca de olhares, sem essa cumplicidade babaca. Somos estranhos que nunca se conheceram, somos duas pessoas passando ao lado uma da outra na rua sem ter noção do quanto têm em comum, do quanto se entendem. Somos eu, depois você. Nada de "eu e você". Nada de abraços. Estranhos não se abraçam. Um aperto de mão é o suficiente ou um aceno com a cabeça, porque eu não quero metades. Eu quero o tudo ou nada.
E é com o coração pesado e ao som de Nando Reis que eu me despeço de você. Pra sempre? Ah fala sério, isso não existe. Por um tempo, até que as estrelas e os planetas se alinhem, ou se você não acredita em nada disso assim como eu, até que os nossos problemas se resolvam, até que as barreiras caiam por terra - as minhas barreiras que eu construí para me poupar de todo esse sofrimento e todo tipo de felicidade. Até que tudo isso comece a fazer sentido.
"O meu amor não será passageiro, te amarei de janeiro a janeiro até o mundo acabar."
Partida

Coloquei o pé direito para dentro do trem. Apertei os dedos em torno da alça da bolsa e olhei ao redor. Inspirei uma boa quantidade de ar para dentro dos pulmões e coloquei-me para dentro do vagão de vez. Sentei numa poltrona perto da janela e fitei a cidade quieta, com a mão presa no vidro. Minha garganta se fechava em nós, impedindo a passagem do ar e os olhos ardiam, lacrimosos. Droga! Não chore.
É engraçado como os lugares são vazios, cinzas e sem graça a um primeiro olhar. Logo que cheguei na cidade, há um ano atrás, mal conseguia suportar a idéia de ter que morar ali. As pessoas eram esquisitas, apressadas, largadas. Diferentes, essa é a palavra correta. E o tempo fez seu trabalho: me apresentou algumas delas, fez com que me marcassem com seu carinho, amor e toda a peculiaridade que cada um tinha dentro de si.
Pessoas de todo canto do mundo. De pertinho, de longe, chamando as coisas de "trem", completando cada final de frase com o típico "uai" ou falando um baiano arrastado, sutil, lindo. Pessoas que me olhavam torto e que eu olhava de soslaio, dizendo para mim mesma que aquele tipinho deveria ser arrogante. Besteira! Todos esses aí o destino fez questão de jogar no meu caminho das formas mais inusitadas e inesperadas, esfregando na minha cara que todo mundo tinha uma qualidadezinha que valia a pena, por mínima que fosse. E muitas vezes até duas, três, quatro, um milhão!
Eu me encantei por todo mundo que passou por mim nessa cidade. Mesmo que fossem seres cheios de defeitos e escolhas erradas - assim como eu - eles se alojaram num lugar tão profundo no meu coração que ouso dizer ser impossível removê-los de lá. Qualquer um que me exibisse um sorriso sincero ou me abraçasse apertado, o coração tratava de guardar o rosto e anotar nome, endereço, CPF e RG. Tudo isso para mais tarde ficar pesado como uma mala de vinte quilos e atrapalhar meu embarque no trem de volta pra casa.
Mas é necessário partir. Mesmo que a bagagem seja enorme e seja do melhor tipo possível: de pessoas, de momentos, de festas inesquecíveis e de histórias para contar para os netos. Olha, eu prometo não deixar a mala se esvaziar... E volto, juro que volto para enchê-la ainda mais!
Tô indo embora e não me aguentei. Odeio despedidas com todas as forças e tinha que expressar de alguma forma a falta que todos os amigos que fiz aqui vão me fazer. É absurdo o tanto que amo cada um deles e o tanto que eles me ensinaram durante esse tempo. Foram pais e mães pra mim. Foram amigos, irmãos. Puxaram minha orelha, me obrigaram a estudar. Estiveram comigo nos, sem dúvida nenhuma, melhores dias da minha vida. Nas minhas melhores histórias - aquelas que são tão intensas que mal podemos descrever direito - eles estavam lá. E espero que apesar da distância estejam nas que virão. Eu amo vocês.
Irony

Words should just fly out of our minds. But they doesn't. You have to choose what to say, pick the right amount so you won't hurt anyone. Won't hurt yourself. Today they decided to come out in another language and I guess that's because I feel safe saying things that are not easily decoded by the ones around me. I am not allowed to say things the way they are. I was born to transform my feelings in something more beautiful or less pathetic. I wasn't born to be silly. I did not come into this world to make fool of myself by saying things that I shouldn't, or by spelling feelings the way they are.
People like to brag about how they are real, transparent, sincere. They are not. It's not because we care about others, but because we have to save ourselves from drowning in our own stupidness. We are all like that. We are frequently stumbling in words that have crossed our minds and that? Well, that's the worst nightmare. Words we've never said, words we said and regret every day of our misery lifes. You know, we are moved by that little and powerfull things.
Words makes ourselves who we are. They write our paths. They destroy things along the way and build other ones. Sometimes even prettier. Sometimes messier. That's what life is about: all the words that you threw out on the air for the wind to carry. All of your decisions, even the worst of them, gather together, putting the peaces of the puzzle on the right place. We can't see it. We don't know where we are heading to. But we hope it's something better than we have right now, we always do.
And I hope I'll get there. I'm sorry if you can't see it, but I can. I can feel my hope dancing around me, making me feel alive, making words come out of my mouth so they can lead the way. Even if they are bad sometimes. Even if they are amazingly stuning and magical. Even if they hurt and destroy everything. Even if they destroy myself. There's a reason. There is got to be a reason. Right?
Resolvi escrever algo em inglês. Acho que a maioria não vai conseguir entender, mas tudo bem, esse era um daqueles textos que a gente escreve pra guardar as idéias emboladas e não pra ser entendido. /alegre /piscando /virado
To Do List: Love Yourself

"O segredo não correr atrás das borboletas.
É cuidar do jardim para que elas venham até você.
No final das contas, você vai achar não quem você estava procurando,
mas quem estava procurando por você!" (Mario Quintana)
Se ame. Se ame muito. Eu sei que parece aquelas frases clichês de livros de auto-ajuda, mas eu tô falando sério. Se você - que se conhece melhor do que ninguém - não se amar, quem vai? Sabe aquela maniazinha chata que você tem de organizar as coisas? Sabe aqueles defeitinhos que você esconde de todo mundo? Sabe todas aquelas neuras e problemas da sua cabeça? Ama isso aí também. Se ame por inteiro, com tudo que você tem e é.
Eu não sou a melhor pessoal pra falar de self-love, mas posso contar a minha experiência. Por muito tempo eu me julguei inferior a todo mundo. Por muito tempo eu busquei e batalhei por amor e aprovação. De uns tempos pra cá eu decidi simplificar as coisas. Decidi aceitar que eu tenho sim, um montão de defeitos, mas também tenho qualidades. Eu sou única. Só tem uma Elisa Mucida nesse mundo e olha só, ela tem um milhão de problemas. Ela tem um monte de minhoca na cabeça, fala besteira o tempo todo e comete dois erros para cada passo que dá. Ela também acerta de vez em quando e tem um coração enorme, mesmo que pareça duro às vezes. Nada disso me faz pior ou melhor do que alguém. Me faz diferente.
Eu não preciso correr atrás de alguém e implorar por amor. A única coisa que eu posso fazer é mostrar essa bagunça que eu sou e quem gosta, fica. Amor não se implora. Amizade, carinho, felicidade. Nada disso vem até a gente forçando a barra, rastejando, se humilhando. Então, se você chegou até aqui e ainda não morreu de tédio (/piscando),
Morada

Me desculpa. É, eu tô te implorando por perdão. Eu fiz de novo. Eu me deixei levar. Eu me entreguei de novo. Do mesmo jeito estúpido de sempre. Eu não consigo, não tenho forças. Sou uma covarde, não sei brincar de desapegada, desligada do mundo. Eu não sou como essas pessoas que se amam por uns segundos e depois tchau. Peraí, tchau? Mas mal deu tempo de dizer oi!
E não me venha com essa história de carência. Eu sou verdadeiramente feliz e completa com quem está do meu lado. O problema é que eu não gosto de deixar ninguém partir. Ei, cara, por que cê já tá indo embora? Olha a casa de novo. Você reparou o cafézinho em cima da mesa? Qual é o problema? O que tem de errado com a sala? Por que ninguém se senta no sofá e fica? Não precisa ser pela eternidade, sabe? Pode ser até a novela das 9 acabar.
Ou quem sabe por uns meses? Quando o café ficar frio, amargo e sem graça, aí você vai, tudo bem? Faz esse trato comigo. Faz alguma coisa. Me dá alguma resposta. Me diz porque você tá indo embora agora. Me conta o que tem de errado comigo, com essa droga de casa. Você foi no quarto, é isso? Viu a bagunça que eu faço, viu todos os meus sentimentos espalhados e misturados. Foi isso não foi? Ah, droga!
Ou você descobriu outro lugar pra ficar? Pode dizer, eu aguento. A vizinhança toda já sabe que eu não sou o melhor lugar pra se hospedar. Só me diz o que foi. O que tá passando na sua cabeça, na sua vida. Me deixa te conhecer. Sem pretensões, eu juro. Eu preciso disso pra acalmar a minha mente.
Pular de cabeça nesse precipício nunca foi uma opção. Eu tenho fobia de altura. Eu não vou pular. Eu não vou me arrebentar por inteiro quando chegar no fim. Então, olha só, eu acho melhor fechar as portas desse lugar antes que as coisas piorem. E eu preciso que você saia. De vez.
O problema com os meus textos
Vê a confusão? Eu começo um assunto e parto para outro numa velocidade desnecessária. Misturo amor com tristeza e passarinhos e uma viagem até a lua. (Ahn?) Odeio isso. Odeio o tanto que eu sou uma bagunça. Até nos meus textos! Ah cara, nos textos não... Os textos eram a minha especialidade. Era o que eu sabia fazer, uma das minhas certezas, entende?
E o mais irônico de tudo é que nem esse aqui eu consigo dar um fim. Eu até arquivaria ele por aqui até eu ter mais alguma coisa para falar, mas já tem uma pilha guardada esperando uma conclusão. Chega né? Esse aqui vai assim, incompleto, esquisito. Depois a gente vê o que faz.
Sobre o Enem...
"Se a cólera que espuma, a dor que mora
N’alma, e destrói cada ilusão que nasce,
Tudo o que punge, tudo o que devora
O coração, no rosto se estampasse;
Se se pudesse o espírito que chora
Ver através da máscara da face,
Quanta gente, talvez, que inveja agora
Nos causa, então piedade nos causasse!
Quanta gente que ri, talvez, consigo
Guarda um atroz, recôndito inimigo,
Como invisível chaga cancerosa!
Quanta gente que ri, talvez existe,
Cuja a ventura única consiste
Em parecer aos outros venturosa!"
(Raimundo Correa)
De coração cheio
Ele segurou seu braço, mas ela se soltou num movimento brusco e saiu andando rápido na frente. "Não tem espaço para mais nada", ela repetia enquanto ia para casa sem olhar para trás. Ele ficara no mesmo lugar, parado, ainda em choque. Garota esquisita. Ela deixou algumas lágrimas escaparem no caminho. De raiva, não de tristeza. Raiva porque sempre parecia frágil, carente, com cara de cãozinho abandonado. "Eu sei me cuidar! Não preciso e não quero que cuidem de mim. Porque uma hora o cuidado acaba e ele vai embora. Então eu fico aqui, limpando toda a bagunça sozinha. E repetindo esse ciclo estúpido. De novo não!", as frases surgiam em gritos sem parar em sua mente.
Todo mundo tem as suas feridas. As dela estavam abertas, escancaradas e ela sabia que não aguentaria mais nenhum golpe. As coisas estavam dando certo, sabe? Ela estava satisfeita com o que tinha. Faltava um amor, daqueles de bambear as pernas, mas quem se importa? Ela sempre fez péssimas escolhas. Seus amores machucavam, até demais. E lá estava ela, correndo em direção à mais um erro. Mais um acidente.
Ele chegou e as coisas permaneceram no lugar por algum tempo, até ele bagunçar tudo. "Foge!", sua mente gritava constantemente depois que ele jogou todas as suas certeza pelo ar. Ela deu um passo à frente. Depois outro, e outro, e outro, até estar próxima demais. Outra escolha errada. Seus pés não obedeciam aos comandos do cérebro. Até que algo estalou dentro de si. Uma dor excruciante começou a arder em seu peito. Uma lembrança de todos os amores falidos pelos quais tinha passado. Uma lembrança de que se não se virasse agora e se afastasse, ia perder o controle. Então ela cambaleou dois passos para trás.
Acredite ou não, dois passos é bastante coisa! Assim que os deu, conseguiu voltar a respirar. As pernas ficaram firmes, o estômago parou de revirar, a garganta não estava mais seca e ela agora podia pensar com clareza. Idiota! Como foi imprudente se aproximar daquele jeito. E se não tivesse volta? Ela suspirou. Agora o limite estava estabelecido e ela não ousaria ultrapassá-lo. Bem, ao menos não por um bom tempo.
Um Pedacinho de Ouro Preto









I Wish You Were Here, I Guess

Dá play nessa música aqui antes de ler! /feliz
Eu o esqueci por algumas horas. Mas não deu. Cada dia eu descobria um pedaço novo dele. Seu nome. Sua banda favorita. Seu sorriso. Ah! O dia em que ele sorriu. Eu, estupidamente, sorri junto. "Idiota! Para de sorrir. Ele não te conhece. Qual é o seu problema?" Era lindo. O sorriso, eu quero dizer. Se bem que... o jeito como ele andava e falava e todo o resto também.
Era um sentimento bom. Sem decepções. Minha perna sucumbia e meu estômago revirava quando ele aparecia. Até que isso deixou de ser suficiente. Eu não queria só vê-lo. Eu queria ele comigo. "Pelo amor de Deus garota, como você quer alguém com quem nunca trocou duas palavras?" Não sei! Eu juro que... não sei.
Uma pequena divagação sobre o amor

Posso te dar uma dica? Lê esse post escutando James Morrison, I Won't Let You Go. Deu play? Então vai, entra na história! /feliz- Vem, vamos dançar - ele diz se levantando.
- Nem pensar! Não quero.
- Não quer ou tem medo do que os outros vão pensar?
- Hm... - eu hesito.
- Anda, vamos - ele diz e estende o braço na minha direção.
- Certo - digo apertando sua mão e ele aperta a minha de volta, me transmitindo segurança.
Ele me carrega até a pista de dança onde uma música lenta e suave começa a tocar. Coloca a mão em minha cintura e eu enrosco os braços em seu pescoço. Damos algumas voltas completamente mudos pelo salão improvisado até que eu quebro o silêncio.
- Ouvi você e seu pai conversando ontem. Sabe, sobre você não querer se apaixonar e tudo o mais...
- Eu não disse isso. Disse que não estava pronto.
- Certo.
- Você não entende.
- Realmente.
- Não posso entrar nisso agora. Não vou te fazer sofrer.
- Você não sente nada por mim, apenas admita e evitamos todo o sofrimento.
- Isso não é verdade.
- Prove.
- Não posso.
- Então é verdade.
- Deus! Como você é teimosa.
- E você um tremendo mentiroso.
- Ei, olhe para mim. Eu não posso me apaixonar agora. Entende isso? Eu tenho medo de sumir daqui a alguns meses e te deixar sozinha, decepcionada.
- Não pode se apaixonar agora? Que tipo de pessoa consegue freiar o amor? Ou até mesmo dizer a ele quando pode chegar? Amor verdadeiro simplesmente chega a hora que quer, se instala da maneira que preferir e antes que você perceba ele está ali se misturando com o que você é, com a sua essência. Ele faz parte de você, é involuntário como as batidas do coração.
- Você é maluca.
- Por que?
- Essa sua concepção ridícula de amor.
- Ah é? E qual é a sua?
- Primeiramente, amor verdadeiro? O que é isso? Uma subclasse do amor? Não tem dessa de verdadeiro ou falso. É amor mesmo com todas as suas peculiaridades e ponto. Depois, que tipo de amor é esse que chega do nada, mudando tudo o que vê pela frente? Se chega tão rápido assim, vai embora mais rápido ainda e não é isso o que eu quero. Quero algo que dure para sempre, entende? Como um fogo que nunca se apaga.
- Você é ridículo, não sabe o que está falando.
- É claro que você iria bater o pé - reclama ele.
- E você não aceita que está errado.
- Porque não estou! O que você acabou de descrever é paixão, não amor. E acredite, tem uma enorme diferença entre os dois.
- Me explique então, já que você é especialista no assunto - digo, irônica.
- Amor não é esse sentimento insano que chega rasgando seu peito após algumas trocas de palavras e te faz ter vontade de fugir pelo mundo com alguém. É algo lento, um processo dos mais complicados. Ele se constrói em cima de alegrias, tristezas, defeitos e qualidades.
- Talvez você esteja certo.
- Como é que é? Você está dando o braço a torcer?
- Não!
- Está sim. Que orgulho!
- Cala a boca.
Ele dá um risinho debochado e olha nos fundos dos meus olhos. Ele está tão certo! Argh, como eu odeio admitir isso. Odeio mais ainda saber que o que eu sinto por ele é exatamente essa coisinha que ele acaba de descrever perfeitamente.
- Talvez eu te ame - ele sussura no meu ouvido, um segundo antes da música acabar e sorri.
- Talvez eu te ame também - digo sorrindo de volta.


