
Como uma vela de aniversário que insiste em acender mesmo depois de três sopros e um pedido. Como aquela porta que insiste em se abrir com o vento mesmo depois de você ter batido com toda a força. É assim o que eu sinto; insisto em vão na tentativa de acabar com algo que simplesmente não vai embora. Tentando achar falhas nessa ideia estúpida do "nós", colocando todo tipo de defeito em mim e em você, resgatando o passado e fazendo ele atrapalhar o presente. Fugindo, evitando, amontoando um monte de pensamentos avulsos por cima daquele que revira o meu estômago: você.
Outra vez, eu tive que fugir, eu tive que correr pra não me entregar. Covarde, eu sei. Mas você não pode nem cogitar toda a confusão que passa pela minha cabeça agora, todo o tipo de sentimento que invade o meu coração à noite. Evitar toda essa bagunça que é você e te poupar da minha, acredite, é a melhor opção. Eu poderia lutar por nós, mas de que adiantaria? Eu já magoei tantas pessoas e você não precisa ser mais uma delas. Eu não preciso de mais uma pessoa virando as costas e indo embora da minha vida sem ao menos olhar para trás.
Não precisamos um do outro. Não precisamos nem começar essa história, porque sabemos que ela não é nossa. Precisamos de distância e menos sorrisos. Definitivamente, sorrir a cada segundo que eu olho para você não está ajudando em nada. Sem contato, por favor. Sem troca de olhares, sem essa cumplicidade babaca. Somos estranhos que nunca se conheceram, somos duas pessoas passando ao lado uma da outra na rua sem ter noção do quanto têm em comum, do quanto se entendem. Somos eu, depois você. Nada de "eu e você". Nada de abraços. Estranhos não se abraçam. Um aperto de mão é o suficiente ou um aceno com a cabeça, porque eu não quero metades. Eu quero o tudo ou nada.
E é com o coração pesado e ao som de Nando Reis que eu me despeço de você. Pra sempre? Ah fala sério, isso não existe. Por um tempo, até que as estrelas e os planetas se alinhem, ou se você não acredita em nada disso assim como eu, até que os nossos problemas se resolvam, até que as barreiras caiam por terra - as minhas barreiras que eu construí para me poupar de todo esse sofrimento e todo tipo de felicidade. Até que tudo isso comece a fazer sentido.
"O meu amor não será passageiro, te amarei de janeiro a janeiro até o mundo acabar."



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