Uma pequena divagação sobre o amor

sexta-feira, agosto 23, 2013

Posso te dar uma dica? Lê esse post escutando James Morrison, I Won't Let You Go. Deu play? Então vai, entra na história! /feliz
- Vem, vamos dançar - ele diz se levantando.
- Nem pensar! Não quero.
- Não quer ou tem medo do que os outros vão pensar?
- Hm... - eu hesito.
- Anda, vamos - ele diz e estende o braço na minha direção.
- Certo - digo apertando sua mão e ele aperta a minha de volta, me transmitindo segurança.
Ele me carrega até a pista de dança onde uma música lenta e suave começa a tocar. Coloca a mão em minha cintura e eu enrosco os braços em seu pescoço. Damos algumas voltas completamente mudos pelo salão improvisado até que eu quebro o silêncio.
- Ouvi você e seu pai conversando ontem. Sabe, sobre você não querer se apaixonar e tudo o mais...
- Eu não disse isso. Disse que não estava pronto.
- Certo.
- Você não entende.
- Realmente.
- Não posso entrar nisso agora. Não vou te fazer sofrer.
- Você não sente nada por mim, apenas admita e evitamos todo o sofrimento.
- Isso não é verdade.
- Prove.
- Não posso.
- Então é verdade.
- Deus! Como você é teimosa.

- E você um tremendo mentiroso.
- Ei, olhe para mim. Eu não posso me apaixonar agora. Entende isso? Eu tenho medo de sumir daqui a alguns meses e te deixar sozinha, decepcionada.
- Não pode se apaixonar agora? Que tipo de pessoa consegue freiar o amor? Ou até mesmo dizer a ele quando pode chegar? Amor verdadeiro simplesmente chega a hora que quer, se instala da maneira que preferir e antes que você perceba ele está ali se misturando com o que você é, com a sua essência. Ele faz parte de você, é involuntário como as batidas do coração.
- Você é maluca.
- Por que?
- Essa sua concepção ridícula de amor.
- Ah é? E qual é a sua?
- Primeiramente, amor verdadeiro? O que é isso? Uma subclasse do amor? Não tem dessa de verdadeiro ou falso. É amor mesmo com todas as suas peculiaridades e ponto. Depois, que tipo de amor é esse que chega do nada, mudando tudo o que vê pela frente? Se chega tão rápido assim, vai embora mais rápido ainda e não é isso o que eu quero. Quero algo que dure para sempre, entende? Como um fogo que nunca se apaga.
- Você é ridículo, não sabe o que está falando.
- É claro que você iria bater o pé - reclama ele.
- E você não aceita que está errado.
- Porque não estou! O que você acabou de descrever é paixão, não amor. E acredite, tem uma enorme diferença entre os dois.
- Me explique então, já que você é especialista no assunto - digo, irônica.
- Amor não é esse sentimento insano que chega rasgando seu peito após algumas trocas de palavras e te faz ter vontade de fugir pelo mundo com alguém. É algo lento, um processo dos mais complicados. Ele se constrói em cima de alegrias, tristezas, defeitos e qualidades.
- Talvez você esteja certo.
- Como é que é? Você está dando o braço a torcer?
- Não!
- Está sim. Que orgulho!
- Cala a boca.
Ele dá um risinho debochado e olha nos fundos dos meus olhos. Ele está tão certo! Argh, como eu odeio admitir isso. Odeio mais ainda saber que o que eu sinto por ele é exatamente essa coisinha que ele acaba de descrever perfeitamente.
- Talvez eu te ame - ele sussura no meu ouvido, um segundo antes da música acabar e sorri.
- Talvez eu te ame também - digo sorrindo de volta.

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