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Your love is crashing over me

quarta-feira, março 04, 2015

Uma vez eu li que ostra feliz não faz pérola. Ontem reparei que nos últimos tempos, quanto mais feliz estou, menos textos eu escrevo. Então resolvi escrever aqui sobre a minha felicidade, mesmo que seja um tanto difícil. Isso porque a tristeza tem várias formas de ser apresentada, sabe? Quantas metáforas eu já usei, quantos rodeios eu fiz para simplesmente dizer: cara, tô numa tristeza tão profunda! Quantas vezes eu enchi de flores a minha dor, a minha solidão. Glamourização do sofrimento. Me envergonho de pensar que cheguei a esse ponto. Eu estava tão confortável com esse montão de sentimento ruim que cheguei a gostar de tê-los. A minha tristeza se tornou a minha identidade e sem ela eu já não sabia quem era. 

Até que tudo mudou. Assim óh, num piscar de olhos, eu experimentei do mais doce amor, da mais suave presença. Amor que cobre a multidão dos meus erros. Amor que traz cura, que traz paz. Amor que gera amor. Amor tão forte, tão grande, tão profundo, que eu mal pude suportar fisicamente a sua grandiosidade. E de uma hora para a outra, eu já não quis fugir de tudo e de todos. A solidão que eu sentia se dissipou. Tudo aquilo que tinha importância na minha vida perdeu o sentido perto de algo tão maravilhoso. O meu vazio foi preenchido e não sobrou nem uma fresta para contar história. 

Ah, como é complicado falar da nossa felicidade! Eu não sinto vontade de sair dançando pela casa. Não é euforia. Não estou satisfeita com tudo aquilo que eu sou ou tenho. Isso é conformismo. Eu me sinto feliz. Completa. Curada. Cheia de gratidão. Sem jugo. O fardo que me foi dado é leve. E o meu desejo para quem ler isso daqui, não é que entenda tudo isso que escrevi, mas que algum dia, em algum momento da vida, sinta isso também.

O meu natal

segunda-feira, dezembro 24, 2012

Minha mãe me acordou com uma sacudida de leve. Levantei num pulo, agitada e ansiosa. Era manhã de Natal, algumas horas depois da ceia. Hora de ganhar os tão esperados presentes. Eu sempre fui encantada com o Natal. É claro que os presentes tinham grande influência no meu amor por essa época, mas era o fato de estarmos todos juntos que me deixava feliz. E ainda deixa.

Sonolenta, calcei os chinelos e fomos até a sala. Ali se encontrava meus presentes. Vários deles. Meus olhos brilhavam de excitação, querendo abri-los e ver o que estava dentro. Era uma época boa, porque eu nunca sabia o que ia ganhar. Eu não ia com a minha mãe fazer as compras, escolher o que eu queria do jeito que fazemos hoje (um jeito totalmente sem graça, por sinal). Tudo era uma grande surpresa!

Me aproximei dos pacotes e comecei a rasgar as embalagens, do menor para o maior. Bonecas, jogos, algumas roupas e mais bonecas. Eu gostava de bonecas, de preferência daquelas bem pequenininhas e delicadas. Quase tudo o que eu pedi estava ali, naquela sala, pronto para fazer parte da minha infância.

Me lembro desse tempo com um sorriso no rosto. As coisas mudaram, hoje em dia eu recebo meus presentes antes mesmo do dia 25. Mas ainda amo o Natal. Ainda amo como toda madrugada do dia 24 estamos ali, juntinhos, primos, tios, avós, mães e pais. Comendo, brigando, rindo, relembrando. Nada é perfeito, eu sei. Mas é tão feliz! Não é isso o que importa?