Não teve aviso. Não teve placa de néon piscando na minha frente. Nem a minha intuição me alertou para o que estava por vir. Depois daquela tempestade toda, veio uma calmaria cheia de paz. E eu cheguei a acreditar que dessa vez tudo ía dar certo, que o universo estava alinhando as coisas, cortando as pontas soltas, apagando as palavras não ditas, resolvendo os problemas, diminuindo os dramas, tapando o buracão vazio dentro do meu peito. Até a minha mente ficou mais silenciosa, organizada e eu já não escutava aquela bagunça de pensamentos a mil por hora."And you tried to change, didn’t you? Closed your mouth more. Tried to be softer, prettier, less volatile, less awake… You can’t make homes out of human beings. Someone should have already told you that. And if he wants to leave, then let him leave. You are terrifying, and strange, and beautiful. Something not everyone knows how to love." Warsan Shire
Como se me cobrasse por tudo de ruim que eu já fiz, a vida resolveu chover. Choveu forte dentro de mim, o ano todo e bem no finalzinho, quando eu achei que ía dar sol, choveu de novo. Tempestade daquelas com bastante vento, que sai por aí arrastando tudo o que vê pela frente. Arrastou um tanto de gente para longe, arrastou a leveza que eu comecei a sentir depois de tanto tempo. Aconteceu de novo, sabe? Exatamente a mesma coisa. É sempre o mesmo ciclo. É sempre um minutinho de paz no meio de 23 horas e 59 minutos de agonia. Dói e quem me dera fosse metáfora.
Parece que algum pedaço meu se perdeu pelo caminho e prejudicou o funcionamento de todo o resto. Até o meu coração está desistindo de bater no meio dessa escuridão. Porque foi todo mundo embora, sabe? Cada um arrumou o seu par nessa dança e lá pelo fim da noite voltaram para casa, apagando as luzes do salão. E eu fiquei para trás.



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