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Colocando abaixo alguns muros

terça-feira, setembro 30, 2014

Tenho tido tanta dificuldade para escrever ultimamente. Há um tempo atrás eu era capaz de despejar todos os meus sentimentos em palavras num piscar de olhos, agora algo simplesmente me trava. Uma constante sensação de que tudo o que eu disser vai ser clichê demais, brega demais, romântico demais. Medo de que todos comecem a enxergar a fraqueza dentro de mim. A garotinha iludida, idealista, que acredita num amor que dure para sempre, até mesmo com aquele que eu nunca poderei ter, aquele que simplesmente não me quer. 

Desde que eu me conheço por gente as coisas sempre foram assim, entende? Quero aquilo que me faz mal, aquilo que me machuca, o inalcançável, o mais difícil, o mais misterioso, o que me faz pensar e repensar todos os meus passos em busca de sentido. Gosto do que revira tudo em mim, me deixa de ponta cabeça perguntando onde eu errei e me faz querer ser o melhor que eu posso ser. E o pior que eu posso ser: idiota, perdidamente encantada, daqueles tipinhos que mal conseguem disfarçar. Totalmente viciada, fixada na ideia de que eu quero é ele e mais ninguém. Cega, incapaz de perceber todos os sinais de perigo que praticamente gritam enquanto eu avanço, me avisando que estou prestes a pisar em falso no maior precipício de todos.

Viu? Totalmente clichê. Ridícula. Mentindo para mim mesma. Quem eu quero enganar? Meu coração grita tão alto quando você passa pela porta! Eu desmaio por um segundo quando você me abraça forte e logo volto à realidade, sem ar. E quando vejo seu sorriso, o meu se abre acanhado, como se dissesse que não é páreo para competir com o seu. Não quero beijar mais ninguém. Acho que isso é amor. E eu quero você. Mil vezes você. Um milhão de vezes você. Em todas as vidas que eu tiver.
E ah, só pra deixar claro, o texto não tem quase nenhuma relação com a realidade hahaha /piscando /envergonhado

O observador

domingo, agosto 04, 2013


Um sino tocou naquela noite e ele levantou o olhar. Alguém acabara de passar pela porta da biblioteca: uma garota intrigante, de pele branca como a neve que forrava as calçadas e cabelos longos, pretos como carvão. Ela tinha uma bolsa desgastada pendurada no ombro da qual ele pôde ver alguns livros saindo para fora e um pequeno crachá da biblioteca. Parecia como qualquer outra, mas algo se mexeu dentro dele ao olhá-la através das janelas. Algo muito mais forte do que borboletas no estômago, alguma coisa parecida com um furacão de calor e frio percorrendo todo o seu corpo.

Inquieto, ele saiu pelas ruas em direção ao seu apartamento pensando em como descobriria o nome daquela garota. Na metade do caminho Pedro encontrou um pequeno pingente debaixo do banco da praça. Pegou-o, analisou o objeto na palma da mão e por fim colocou-o no bolso. Continuou andando, agora um pouco mais apressado já que os flocos de neve voltavam a cair.

Ao chegar em casa entrou no banho para amenizar o frio, pediu pizza pelo telefone, colocou um filme de ação qualquer no DVD e se jogou no sofá. Pedro morava sozinho em Nova York, estagiava meio período num hospital do bairro e na parte da manhã fazia faculdade de medicina. Fazia não pelo dinheiro, mas porque amava, porque queria salvar vidas. Tinha os cabelos castanhos avermelhados bagunçados, os olhos intensos e negros e o maxilar definido. Era simpático e dono de um sorriso tão bonito que chegava a ser perigoso. Naquela noite ele adormeceu ali mesmo na sala e como era de se esperar sonhou com a tal bibliotecária.
Quer entender melhor essa história? Então entra aqui e leia a parte I.

O rouxinol

segunda-feira, abril 22, 2013


O rouxinol tem mania de cantar na calada da noite. Eu tinha duas provas no dia seguinte e o tal bichinho não parava de soltar notinhas entusiasmadas para a escuridão. Como não pude calá-lo, resolvi ouvi-lo. Cantava, assim como eu escrevia, para espantar a solidão, eu acho. A nossa única diferença é que sua melodia, diferente das minhas linhas, era alegre.

Cheguei a pensar que ele estivesse fingindo ou gostasse de ser sozinho. Mas depois de um pouquinho de reflexão me lembrei que ele só cantava para atrair "uma rouxinol". Bem, talvez ele estivesse triste. Talvez ele sofresse por não ter encontrado sua metade da laranja. Mas me diz, como atrair alguém choramingando pela madrugada? Como atrair amor, escrevendo solidão, ódio ou decepção? Como atrair felicidade cantando tristeza? O rouxinol estava certo.

Peguei meu bloquinho de notas na primeira gaveta e escrevi um pequeno aviso: "Seja como o Rouxinol. Escreva, cante, desenhe felicidade. Há muito além de amores mal resolvidos." Dei uma última olhada para o pequeno pássaro do outro lado da janela e ele pareceu notar a minha presença. Continuou a cantar, dessa vez um pouco mais baixo, me ajudando a pegar no sono novamente.
Juro que tentei escrever uma coisinha melhor (e colocar uma foto minha que fosse decente), mas não deu! /triste A imagem é daqui e a frase significa: "Não é sobre forçar a felicidade; é sobre não deixar a tristeza vencer." /alegre

A primeira história de Annabel

terça-feira, outubro 02, 2012


As luzes da biblioteca apagaram de repente. Annabel pegou uma lanterna na primeira gaveta de sua mesa e com ela iluminou o caminho até um canto aconchegante rodeado de livros. Escolheu um dos seus favoritos, colocou a lanterna na prateleira de modo que iluminasse as páginas e sentou-se ali mesmo no chão. Era uma noite de inverno, a neve caia lá fora e os olhos de Annabel brilhavam por estar fazendo o que mais gostava, algo tão simples e pequeno, mas encantador.

Folheou as primeiras páginas, sentiu o cheirinho de livro antigo e então começou a mergulhar em histórias de piratas, sereias e desventuras. Quase podia se imaginar dentro do navio, ao lado do capitão. Assim passou as três horas seguintes, até a luz retornar e ela se dar conta de que precisava voltar para casa. Juntou suas coisas e saiu apressada pela porta, tocando o pequeno sino. O barulho chamou a atenção de uma das pessoas presentes, que a observou do lado de fora por uns segundos.

Annabel chegou em casa tremendo de frio, trocou as roupas úmidas por um pijama seco, fez um delicioso chocolate quente e se jogou na cama. Ela era uma daquelas garotas comuns que vemos todos os dias passando pela calçada. Era apaixonada por livros, acreditava em finais felizes e não dispensava momentos ao lado dos amigos. Tinha o coração maior que o mundo, mas também seus defeitos. E esse é só o começo da longa história sobre uma tal bibliotecária e um garoto observador de nome comum.
Oiiiiii! Vi essa foto aí de cima já faz um tempo e fiquei apaixonada por ela. /amor Então ontem de madrugada comecei a ter ideias para esse texto e acabei juntando com uma outra ideia minha: criar uma série de textos sobre um casal. A garota vocês acabaram de conhecer, a Annabel. /feliz E o carinha, vocês vão descobrir quem é em breve! É isso, espero que gostem, tchau! /envergonhado

Heartless

terça-feira, agosto 07, 2012


"- Seria tão melhor se não tivéssemos coração, não acha?
- Com certeza! Imagine só? Não sofreríamos, seria ótimo."
Foi esse o breve diálogo que escutei ontem, enquanto voltava para casa. Não pude evitar o pensamento de como aquelas garotas eram idiotas por achar que assim seria mais fácil. Sim, idiotas. Pois olhe, para começar, se o mundo já está um caos, imagine se as pessoas não tivessem coração? Depois, sem coração, morreríamos. O que elas realmente queriam dizer é que seria bom se o nosso sistema límbico parasse de funcionar.

Do mesmo modo, falando de coração ou sistema límbico, o ponto principal é: o que nos tornaríamos se não tivéssemos a capacidade de sentir, de amar? E eu não falo de amor chatinho, obsessivo, daqueles ciumentos ou cheios de melação. Falo de amor pelo próximo, amor pelo mendigo da calçada, amor por mãe, pai, tia que pergunta dos namoradinhos, primo chato e até mesmo por criminosos. Cara, se com o coração, o cérebro e o tal do sistema límbico já é difícil pra caramba, me diga como seria possível sem eles!

O amor, quando não pede nada em troca ou quando é recíproco, não dói. Está aí o nosso grande problema, a generalização. Achar que todo amor é ruim e que todo cara é babaca. Concluindo que desse jeito, o melhor é ficar fria, sem sentir nada. Não é! É bom amar o famoso "ele" que todos nós temos, é bom abrir um sorriso de orelha à orelha só porque ele fez isso também. É bom amar a humanidade, Deus, tudo à nossa volta. O amor faz bem, afinal de contas.
OI! /feliz Quanto tempo eu não posto aqui, estava sem ideias, aí eu lembrei do que eu escutei ontem e fui escrevendo. A foto ali de cima é do meu moleskine lindo. /amor Rolou um google no negócio do sistema límbico, of course! kkkkkkkkkkkk /alegre É isso, adeus!

You're so totally my cup of tea!

terça-feira, julho 24, 2012


- Um capuccino, por favor.
- Você deveria pedir chá.
- E quem é você para dizer o que eu devo ou não pedir?
- Thiago, prazer - diz ele se sentando na frente da garota.
- Laura... Você não pode sentar aí.
- Por que? Está esperando alguém?
- Não!
- Então ficarei bem aqui.
- É que eu gostaria de ficar sozinha.
- Melhor não.
- Meu Deus, quem é você? Nos falamos por dois minutos e você já deu mais palpite do que deveria!
- Já disse, sou o Thiago. Você é meio sonsinha, não?
- Não, não sou! Tchau - diz Laura pegando os livros, a bolsa e se sentando na mesa do fundo, bem longe de Thiago. O cara, insistente para caramba, vai atrás.
- Ah não! Você não vai me deixar em paz?
- Não pretendo.
- O que você quer de mim?
- Quero que você peça um chá e tome comigo.
- Hahaha! Qual é o seu problema, hein?
- Nenhum, só quero tomar uma xícara de chá. Com você.
- Por que eu e não aquela garota ruiva ali no balcão? Olha como ela é bonita! Vai lá falar com ela!
- É que ela não tem um sorriso bonito e largo, nem um livro nas mãos como você. E aqui entre nós, não parece do tipo que gosta de chá.
- Muito menos eu! Odeio chá!
- Duvido! Por favor, vai, só um chá e eu te deixo em paz.
- Certo, uma xícara de chá e você vai embora.
Laura chama o garçom, troca o pedido e olha fixamente para Thiago.
- Por que o desejo de ficar sozinha?
- Nada de mais. Nunca se sentiu assim, com vontade de sumir por um tempo, se desligar de tudo e todos?
- Algumas vezes. Fugindo de quem?
- Ninguém!
- Livro, capuccino, lanchonete desconhecida, celular desligado... Me diz, está fugindo de quem? Ou do que?
- Fugindo de decepções... E você? Vem sempre aqui assustar as pessoas?
- Não, hoje é a primeira vez. Me sai bem?
- Nem um pouco! - diz ela dando uma risadinha abafada.
- Então por que não me conta da sua decepção?
- Sabe, nós tínhamos tudo para dar certo. Feitos um pro outro, feitos para durar. - Começa ela, desabafando com um total estranho. - Ele me fazia rir, quando o que eu mais queria era chorar. Ele era meu, em secreto, sem saber. E eu era dele, descaradamente. Mas ele era complicado e eu mais ainda. Ele não me queria, ou fingia que não, ou mentia para si mesmo. Eu queria ele, mais do que podia, com todas as forças. Aí eu percebi que quando um não quer, nada acontece. E esse "nada" dói demais, dá vontade de sumir. Foi isso.
- Engraçado.
O chá chega e eles tomam em silêncio, um olhando para a cara do outro sem saber o que dizer. Laura gosta do chá e pede outro, mas na verdade ela quer é ouvir Thiago mais um pouco. Porém o desejo não se realiza. Pagam a conta e ao sair pela porta, Thiago a segura pelo braço.
- Olha só, você devia ser feliz. Você gosta de livros e de capuccino. Você gosta de sorrisos, de conversar com estranhos e de Engenheiros do Hawaii. Seus olhos são uma mistura de verde com marrom. Você é a garota mais única que já conheci em toda a minha vida. E se ele não te quis, a culpa não é sua! Ele é o idiota que está te deixando ir. Então, faça-me o favor de arrumar esse cabelo e ir ser feliz.
Os olhos de Laura enchem-se d'água, ela o abraça bem forte e diz enquanto vai embora:
- Chá amanhã, aqui, no mesmo horário.
Texto bobinho, mas sei lá, gostei! /alegre Gosto de escrever diálogos! HAHAHA. Inspirado nessa foto aí de cima que vi antes no tumblr e achei uma graça. /piscando Hoje comprei meu moleskine lindo pra escrever as bobeiras que eu quiser e ganhei um monstrinho azul fofo demais! /amor É isso, tchau!

Medinhos

quinta-feira, julho 19, 2012


Sou medrosa. Tenho medo das consequências de tudo. Tenho medo de arriscar e não dar certo. Eu tenho medo do arrependimento, de ficar com aquele sentimento de "não devia ter feito isso" ou até mesmo "poxa, devia ter feito aquilo". Tenho medo de perder as pessoas que eu amo, no sentido de ter que viver sem, ver na rua e não falar, não ganhar um abraço apertado.

Sabe do que eu mais tenho medo? De viver a vida de jeito monótono, chato. Tenho vontade de fazer umas loucuras de vez em quando, sair na rua dando bom dia para todo mundo, abraçar quem eu quero sem medo de parecer grudenta, saltar de paraquedas, andar numa montanha-russa com toda essa fobia de altura, aprender a tocar violão, pintar o cabelo de ruivo.

Quando eu paro para pensar, os melhores momentos da minha vida foram consequências de doideiras assim sabe? Pequenas, simples, bobas, mas tão difíceis para mim! E isso dá vontade de fazer de novo, e de novo, e de novo. Vontade de esquecer o amanhã, as consequências, as opiniões contrárias e me divertir, viver cada dia de uma vez, ao pouquinhos.
OOOOOOOI! Hoje fui numa exposição linda do Caravaggio e do Giorgio de Chirico aqui em Belo Horizonte, na Casa Fiat de Cultura, curti muito! /feliz Fiz umas compras lindas e assim que chegar eu mostro aqui hihihi. Textinho besta, mas muito verdadeiro! É isso, depois eu posto mais. Tchauuu! /envergonhado