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De coração cheio

quinta-feira, outubro 24, 2013

- Eu não preciso de ninguém! - vociferou ela.
Ele segurou seu braço, mas ela se soltou num movimento brusco e saiu andando rápido na frente. "Não tem espaço para mais nada", ela repetia enquanto ia para casa sem olhar para trás. Ele ficara no mesmo lugar, parado, ainda em choque. Garota esquisita. Ela deixou algumas lágrimas escaparem no caminho. De raiva, não de tristeza. Raiva porque sempre parecia frágil, carente, com cara de cãozinho abandonado. "Eu sei me cuidar! Não preciso e não quero que cuidem de mim. Porque uma hora o cuidado acaba e ele vai embora. Então eu fico aqui, limpando toda a bagunça sozinha. E repetindo esse ciclo estúpido. De novo não!", as frases surgiam em gritos sem parar em sua mente.

Todo mundo tem as suas feridas. As dela estavam abertas, escancaradas e ela sabia que não aguentaria mais nenhum golpe. As coisas estavam dando certo, sabe? Ela estava satisfeita com o que tinha. Faltava um amor, daqueles de bambear as pernas, mas quem se importa? Ela sempre fez péssimas escolhas. Seus amores machucavam, até demais. E lá estava ela, correndo em direção à mais um erro. Mais um acidente.

Ele chegou e as coisas permaneceram no lugar por algum tempo, até ele bagunçar tudo. "Foge!", sua mente gritava constantemente depois que ele jogou todas as suas certeza pelo ar. Ela deu um passo à frente. Depois outro, e outro, e outro, até estar próxima demais. Outra escolha errada. Seus pés não obedeciam aos comandos do cérebro. Até que algo estalou dentro de si. Uma dor excruciante começou a arder em seu peito. Uma lembrança de todos os amores falidos pelos quais tinha passado. Uma lembrança de que se não se virasse agora e se afastasse, ia perder o controle. Então ela cambaleou dois passos para trás.

Acredite ou não, dois passos é bastante coisa! Assim que os deu, conseguiu voltar a respirar. As pernas ficaram firmes, o estômago parou de revirar, a garganta não estava mais seca e ela agora podia pensar com clareza. Idiota! Como foi imprudente se aproximar daquele jeito. E se não tivesse volta? Ela suspirou. Agora o limite estava estabelecido e ela não ousaria ultrapassá-lo. Bem, ao menos não por um bom tempo.

I Wish You Were Here, I Guess

quinta-feira, setembro 12, 2013

Dá play nessa música aqui antes de ler! /feliz
Aquela foi a primeira vez que eu o vi. Ele não me conhecia. E eu nem sabia o seu nome. Ele me olhou de relance e eu desviei. Abri um sorriso fraco. Deus!, como eu queria ele para mim, assim, em apenas dois minutos. Ele não sorria muito. Era como um dilema, um código a ser decifrado. Eu não conseguia imaginar o que passava em sua mente. Nenhuma pista. Sacudi a cabeça. "Qual é, não tem como se apaixonar por alguém que você não conhece. Se concentra."

Eu o esqueci por algumas horas. Mas não deu. Cada dia eu descobria um pedaço novo dele. Seu nome. Sua banda favorita. Seu sorriso. Ah! O dia em que ele sorriu. Eu, estupidamente, sorri junto. "Idiota! Para de sorrir. Ele não te conhece. Qual é o seu problema?" Era lindo. O sorriso, eu quero dizer. Se bem que... o jeito como ele andava e falava e todo o resto também.

Era um sentimento bom. Sem decepções. Minha perna sucumbia e meu estômago revirava quando ele aparecia. Até que isso deixou de ser suficiente. Eu não queria só vê-lo. Eu queria ele comigo. "Pelo amor de Deus garota, como você quer alguém com quem nunca trocou duas palavras?" Não sei! Eu juro que... não sei.

Uma pequena divagação sobre o amor

sexta-feira, agosto 23, 2013

Posso te dar uma dica? Lê esse post escutando James Morrison, I Won't Let You Go. Deu play? Então vai, entra na história! /feliz
- Vem, vamos dançar - ele diz se levantando.
- Nem pensar! Não quero.
- Não quer ou tem medo do que os outros vão pensar?
- Hm... - eu hesito.
- Anda, vamos - ele diz e estende o braço na minha direção.
- Certo - digo apertando sua mão e ele aperta a minha de volta, me transmitindo segurança.
Ele me carrega até a pista de dança onde uma música lenta e suave começa a tocar. Coloca a mão em minha cintura e eu enrosco os braços em seu pescoço. Damos algumas voltas completamente mudos pelo salão improvisado até que eu quebro o silêncio.
- Ouvi você e seu pai conversando ontem. Sabe, sobre você não querer se apaixonar e tudo o mais...
- Eu não disse isso. Disse que não estava pronto.
- Certo.
- Você não entende.
- Realmente.
- Não posso entrar nisso agora. Não vou te fazer sofrer.
- Você não sente nada por mim, apenas admita e evitamos todo o sofrimento.
- Isso não é verdade.
- Prove.
- Não posso.
- Então é verdade.
- Deus! Como você é teimosa.

- E você um tremendo mentiroso.
- Ei, olhe para mim. Eu não posso me apaixonar agora. Entende isso? Eu tenho medo de sumir daqui a alguns meses e te deixar sozinha, decepcionada.
- Não pode se apaixonar agora? Que tipo de pessoa consegue freiar o amor? Ou até mesmo dizer a ele quando pode chegar? Amor verdadeiro simplesmente chega a hora que quer, se instala da maneira que preferir e antes que você perceba ele está ali se misturando com o que você é, com a sua essência. Ele faz parte de você, é involuntário como as batidas do coração.
- Você é maluca.
- Por que?
- Essa sua concepção ridícula de amor.
- Ah é? E qual é a sua?
- Primeiramente, amor verdadeiro? O que é isso? Uma subclasse do amor? Não tem dessa de verdadeiro ou falso. É amor mesmo com todas as suas peculiaridades e ponto. Depois, que tipo de amor é esse que chega do nada, mudando tudo o que vê pela frente? Se chega tão rápido assim, vai embora mais rápido ainda e não é isso o que eu quero. Quero algo que dure para sempre, entende? Como um fogo que nunca se apaga.
- Você é ridículo, não sabe o que está falando.
- É claro que você iria bater o pé - reclama ele.
- E você não aceita que está errado.
- Porque não estou! O que você acabou de descrever é paixão, não amor. E acredite, tem uma enorme diferença entre os dois.
- Me explique então, já que você é especialista no assunto - digo, irônica.
- Amor não é esse sentimento insano que chega rasgando seu peito após algumas trocas de palavras e te faz ter vontade de fugir pelo mundo com alguém. É algo lento, um processo dos mais complicados. Ele se constrói em cima de alegrias, tristezas, defeitos e qualidades.
- Talvez você esteja certo.
- Como é que é? Você está dando o braço a torcer?
- Não!
- Está sim. Que orgulho!
- Cala a boca.
Ele dá um risinho debochado e olha nos fundos dos meus olhos. Ele está tão certo! Argh, como eu odeio admitir isso. Odeio mais ainda saber que o que eu sinto por ele é exatamente essa coisinha que ele acaba de descrever perfeitamente.
- Talvez eu te ame - ele sussura no meu ouvido, um segundo antes da música acabar e sorri.
- Talvez eu te ame também - digo sorrindo de volta.

O observador

domingo, agosto 04, 2013


Um sino tocou naquela noite e ele levantou o olhar. Alguém acabara de passar pela porta da biblioteca: uma garota intrigante, de pele branca como a neve que forrava as calçadas e cabelos longos, pretos como carvão. Ela tinha uma bolsa desgastada pendurada no ombro da qual ele pôde ver alguns livros saindo para fora e um pequeno crachá da biblioteca. Parecia como qualquer outra, mas algo se mexeu dentro dele ao olhá-la através das janelas. Algo muito mais forte do que borboletas no estômago, alguma coisa parecida com um furacão de calor e frio percorrendo todo o seu corpo.

Inquieto, ele saiu pelas ruas em direção ao seu apartamento pensando em como descobriria o nome daquela garota. Na metade do caminho Pedro encontrou um pequeno pingente debaixo do banco da praça. Pegou-o, analisou o objeto na palma da mão e por fim colocou-o no bolso. Continuou andando, agora um pouco mais apressado já que os flocos de neve voltavam a cair.

Ao chegar em casa entrou no banho para amenizar o frio, pediu pizza pelo telefone, colocou um filme de ação qualquer no DVD e se jogou no sofá. Pedro morava sozinho em Nova York, estagiava meio período num hospital do bairro e na parte da manhã fazia faculdade de medicina. Fazia não pelo dinheiro, mas porque amava, porque queria salvar vidas. Tinha os cabelos castanhos avermelhados bagunçados, os olhos intensos e negros e o maxilar definido. Era simpático e dono de um sorriso tão bonito que chegava a ser perigoso. Naquela noite ele adormeceu ali mesmo na sala e como era de se esperar sonhou com a tal bibliotecária.
Quer entender melhor essa história? Então entra aqui e leia a parte I.

O rouxinol

segunda-feira, abril 22, 2013


O rouxinol tem mania de cantar na calada da noite. Eu tinha duas provas no dia seguinte e o tal bichinho não parava de soltar notinhas entusiasmadas para a escuridão. Como não pude calá-lo, resolvi ouvi-lo. Cantava, assim como eu escrevia, para espantar a solidão, eu acho. A nossa única diferença é que sua melodia, diferente das minhas linhas, era alegre.

Cheguei a pensar que ele estivesse fingindo ou gostasse de ser sozinho. Mas depois de um pouquinho de reflexão me lembrei que ele só cantava para atrair "uma rouxinol". Bem, talvez ele estivesse triste. Talvez ele sofresse por não ter encontrado sua metade da laranja. Mas me diz, como atrair alguém choramingando pela madrugada? Como atrair amor, escrevendo solidão, ódio ou decepção? Como atrair felicidade cantando tristeza? O rouxinol estava certo.

Peguei meu bloquinho de notas na primeira gaveta e escrevi um pequeno aviso: "Seja como o Rouxinol. Escreva, cante, desenhe felicidade. Há muito além de amores mal resolvidos." Dei uma última olhada para o pequeno pássaro do outro lado da janela e ele pareceu notar a minha presença. Continuou a cantar, dessa vez um pouco mais baixo, me ajudando a pegar no sono novamente.
Juro que tentei escrever uma coisinha melhor (e colocar uma foto minha que fosse decente), mas não deu! /triste A imagem é daqui e a frase significa: "Não é sobre forçar a felicidade; é sobre não deixar a tristeza vencer." /alegre

A tal idealização

domingo, abril 14, 2013


Era noite. As estrelas dançavam no céu negro iluminando a praia logo abaixo. A brisa fria e salgada serpenteava entre os meus cabelos, enquanto as ondas do mar molhavam as pontinhas dos meus dedos do pé. Minha velha amiga sentava-se na areia ao meu lado, apertando lentamente meu coração. Eu quase conseguia senti-lo sendo esmagado por suas mãos delicadas.

Um bom tempo havia se passado desde que eu estava ali, era hora de ir para casa. Me levantei melancólica, tirei a areia das roupas e ao me virar jurei tê-lo visto. A alguns metros de distância, num lugar mal iluminado, eu pude distinguir: o cabelo preto, os braços que transmitiam segurança e paz e o sorriso. Ah, aquele sorriso! As covinhas à mostra, os olhos apertadinhos que prendiam os meus. Tive vontade de correr ao seu encontro, mas minhas pernas tomaram a direção contrária. Era a decisão certa e dolorida a se tomar. Até que eu acordei.

Era madrugada e não tinha uma estrela sequer no céu. Não tinha brisa. Não tinha mar, nem a calmaria das ondas para cessar meu pranto. Não tinha mais nenhum vislumbre dele. Nem mesmo uma sombra com o formato do seu corpo. Ou alguma voz rouca que se assemelhasse à dele. Tudo o que tinha era solidão. Escuridão e a velha saudade.
E esse é o primeiro post de 2013, diretamente de Viçosa. Me mudei pra cá faz 20 dias, as coisas ainda vão se ajeitar, eu espero. Agora, voltemos a estudar. "Just know, wherever you go, you can always come back home."

O meu natal

segunda-feira, dezembro 24, 2012

Minha mãe me acordou com uma sacudida de leve. Levantei num pulo, agitada e ansiosa. Era manhã de Natal, algumas horas depois da ceia. Hora de ganhar os tão esperados presentes. Eu sempre fui encantada com o Natal. É claro que os presentes tinham grande influência no meu amor por essa época, mas era o fato de estarmos todos juntos que me deixava feliz. E ainda deixa.

Sonolenta, calcei os chinelos e fomos até a sala. Ali se encontrava meus presentes. Vários deles. Meus olhos brilhavam de excitação, querendo abri-los e ver o que estava dentro. Era uma época boa, porque eu nunca sabia o que ia ganhar. Eu não ia com a minha mãe fazer as compras, escolher o que eu queria do jeito que fazemos hoje (um jeito totalmente sem graça, por sinal). Tudo era uma grande surpresa!

Me aproximei dos pacotes e comecei a rasgar as embalagens, do menor para o maior. Bonecas, jogos, algumas roupas e mais bonecas. Eu gostava de bonecas, de preferência daquelas bem pequenininhas e delicadas. Quase tudo o que eu pedi estava ali, naquela sala, pronto para fazer parte da minha infância.

Me lembro desse tempo com um sorriso no rosto. As coisas mudaram, hoje em dia eu recebo meus presentes antes mesmo do dia 25. Mas ainda amo o Natal. Ainda amo como toda madrugada do dia 24 estamos ali, juntinhos, primos, tios, avós, mães e pais. Comendo, brigando, rindo, relembrando. Nada é perfeito, eu sei. Mas é tão feliz! Não é isso o que importa?

Not meant to be

sábado, novembro 24, 2012

- Então... é mesmo o fim?
- Sim - ele respondeu friamente.
- Certo.
- Suas pernas estão tremendo... Tudo bem com você? Precisa de ajuda?
- Não, eu tô ótima! - Exclamei rapidamente enquanto me afastava.
- Espero que sim - ele sussurrou baixinho, mas eu ainda consegui ouvir.
Andei alguns metros sem olhar para trás até que estava longe o suficiente para desatar o nó que prendia minha garganta. Ele estava indo embora mesmo, de verdade. Meus pensamentos se misturaram e meu corpo todo começou a tremer. Um filme passava em minha mente enquanto ia para casa.

Sorrisos, tapas, mensagens, "odeio você", abraços, xingamentos, "eu te amo", músicas, choro, olhares, olhares e mais olhares! Brigas, mordidas, conversas, raiva, ajuda, indiretas, mãos entrelaçadas, beliscões, mais xingamentos... Tudo isso passava nitidamente e numa velocidade lenta em minha cabeça.

Eu sempre achei que tínhamos nascido um pro outro. Não que eu acredite nessa coisa de destino, simplesmente nos completávamos, mesmo sendo tão errados e diferentes. A verdade é que nascemos para não dar certo. Desse jeito é bem melhor.
"Algumas pessoas estão destinadas a se apaixonarem uma pela outra, mas isso não significa que elas estão destinadas a ficarem juntas." (500 days of Summer)

Vamos voar?

sábado, outubro 20, 2012


Eu queria ser um daqueles passarinhos bem coloridos. Quem sabe assim eu poderia voar pra longe quando a tristeza batesse. Sou o tipo de pessoa que foge ao me deparar com problemas e isso é tudo que eu gostaria de fazer agora. Voar para um lugar onde eu encontrasse paz e pessoas que não vão embora quando mais precisamos.

Enquanto não arrumo um par de asas ou uma passagem de ônibus, tento recuperar um pouquinho das forças lembrando de bons momentos, boas músicas e bons amigos. Sei que não posso viver de memórias, é até patetico, mas por agora é o que me sustenta. Espero que tudo se ajeite com o tempo.

Até lá, arrumo a casa. Coloco os sentimentos no lugar, mando alguns para bem longe, trago outros de volta, arrumo espaço para novos amores, novas amizades. Hora de mudar as posições, hora de desapegar e parar de criar expectativas. Aliás, já passou da hora. Hora de crescer. Deixar de ser um filhote no ninho que mal sabe resolver as coisas por si próprio para voar longe, voar muito.

A primeira história de Annabel

terça-feira, outubro 02, 2012


As luzes da biblioteca apagaram de repente. Annabel pegou uma lanterna na primeira gaveta de sua mesa e com ela iluminou o caminho até um canto aconchegante rodeado de livros. Escolheu um dos seus favoritos, colocou a lanterna na prateleira de modo que iluminasse as páginas e sentou-se ali mesmo no chão. Era uma noite de inverno, a neve caia lá fora e os olhos de Annabel brilhavam por estar fazendo o que mais gostava, algo tão simples e pequeno, mas encantador.

Folheou as primeiras páginas, sentiu o cheirinho de livro antigo e então começou a mergulhar em histórias de piratas, sereias e desventuras. Quase podia se imaginar dentro do navio, ao lado do capitão. Assim passou as três horas seguintes, até a luz retornar e ela se dar conta de que precisava voltar para casa. Juntou suas coisas e saiu apressada pela porta, tocando o pequeno sino. O barulho chamou a atenção de uma das pessoas presentes, que a observou do lado de fora por uns segundos.

Annabel chegou em casa tremendo de frio, trocou as roupas úmidas por um pijama seco, fez um delicioso chocolate quente e se jogou na cama. Ela era uma daquelas garotas comuns que vemos todos os dias passando pela calçada. Era apaixonada por livros, acreditava em finais felizes e não dispensava momentos ao lado dos amigos. Tinha o coração maior que o mundo, mas também seus defeitos. E esse é só o começo da longa história sobre uma tal bibliotecária e um garoto observador de nome comum.
Oiiiiii! Vi essa foto aí de cima já faz um tempo e fiquei apaixonada por ela. /amor Então ontem de madrugada comecei a ter ideias para esse texto e acabei juntando com uma outra ideia minha: criar uma série de textos sobre um casal. A garota vocês acabaram de conhecer, a Annabel. /feliz E o carinha, vocês vão descobrir quem é em breve! É isso, espero que gostem, tchau! /envergonhado

Na janela

sábado, setembro 15, 2012


Estava quente e ela resolveu se sentar no parapeito da janela. Colocou os pés para fora e enquanto os balançava freneticamente, alinhava os pensamentos. Sempre que recebia muita informação da qual não gostava, em um mesmo dia, ficava assim: chatinha, tristinha, desanimadinha, cheia de "inhas". E só melhorava depois de um tempo sozinha, buscando a solução para o seu problema, que nem era tão problema assim.

Naquela noite, olhando o céu, ela se lembrou do que lhe foi dito e de todos os sinais indicando que tudo estava se resolvendo. Sorriu enquanto um calafrio percorria seu corpo. Seria verdade que o sonho se realizaria? Era bobinho, mas era sonho! Sonhado dormindo, sonhado acordada.

Depois fechou a cara e uma lágrima escorreu sem querer ao trazer à mente os últimos acontecimentos. Apesar das notícias boas, os fatos indicavam outra coisa. E aqui para nós, fatos são muito mais consistentes. Ela sabia disso. "Então, o que farei?", Agnes se perguntava a cada dez segundos.

A resposta que encontrou, aquela que mais acalmava o seu coração, foi esperar. Esperar por atitudes que provassem que seu sonho não respeitaria a regra do "simplesmente não é para ser." Esperar até a última força se esvair para assim, desistir.
Oi! Finalmente consegui escrever alguma coisa. /feliz Tentarei atualizar com mais frequência /envergonhado, porque cada dia fico mais apaixonada por escrever. A foto ali de cima é do We Heart It e é isso, adeusssss /rei

You're so totally my cup of tea!

terça-feira, julho 24, 2012


- Um capuccino, por favor.
- Você deveria pedir chá.
- E quem é você para dizer o que eu devo ou não pedir?
- Thiago, prazer - diz ele se sentando na frente da garota.
- Laura... Você não pode sentar aí.
- Por que? Está esperando alguém?
- Não!
- Então ficarei bem aqui.
- É que eu gostaria de ficar sozinha.
- Melhor não.
- Meu Deus, quem é você? Nos falamos por dois minutos e você já deu mais palpite do que deveria!
- Já disse, sou o Thiago. Você é meio sonsinha, não?
- Não, não sou! Tchau - diz Laura pegando os livros, a bolsa e se sentando na mesa do fundo, bem longe de Thiago. O cara, insistente para caramba, vai atrás.
- Ah não! Você não vai me deixar em paz?
- Não pretendo.
- O que você quer de mim?
- Quero que você peça um chá e tome comigo.
- Hahaha! Qual é o seu problema, hein?
- Nenhum, só quero tomar uma xícara de chá. Com você.
- Por que eu e não aquela garota ruiva ali no balcão? Olha como ela é bonita! Vai lá falar com ela!
- É que ela não tem um sorriso bonito e largo, nem um livro nas mãos como você. E aqui entre nós, não parece do tipo que gosta de chá.
- Muito menos eu! Odeio chá!
- Duvido! Por favor, vai, só um chá e eu te deixo em paz.
- Certo, uma xícara de chá e você vai embora.
Laura chama o garçom, troca o pedido e olha fixamente para Thiago.
- Por que o desejo de ficar sozinha?
- Nada de mais. Nunca se sentiu assim, com vontade de sumir por um tempo, se desligar de tudo e todos?
- Algumas vezes. Fugindo de quem?
- Ninguém!
- Livro, capuccino, lanchonete desconhecida, celular desligado... Me diz, está fugindo de quem? Ou do que?
- Fugindo de decepções... E você? Vem sempre aqui assustar as pessoas?
- Não, hoje é a primeira vez. Me sai bem?
- Nem um pouco! - diz ela dando uma risadinha abafada.
- Então por que não me conta da sua decepção?
- Sabe, nós tínhamos tudo para dar certo. Feitos um pro outro, feitos para durar. - Começa ela, desabafando com um total estranho. - Ele me fazia rir, quando o que eu mais queria era chorar. Ele era meu, em secreto, sem saber. E eu era dele, descaradamente. Mas ele era complicado e eu mais ainda. Ele não me queria, ou fingia que não, ou mentia para si mesmo. Eu queria ele, mais do que podia, com todas as forças. Aí eu percebi que quando um não quer, nada acontece. E esse "nada" dói demais, dá vontade de sumir. Foi isso.
- Engraçado.
O chá chega e eles tomam em silêncio, um olhando para a cara do outro sem saber o que dizer. Laura gosta do chá e pede outro, mas na verdade ela quer é ouvir Thiago mais um pouco. Porém o desejo não se realiza. Pagam a conta e ao sair pela porta, Thiago a segura pelo braço.
- Olha só, você devia ser feliz. Você gosta de livros e de capuccino. Você gosta de sorrisos, de conversar com estranhos e de Engenheiros do Hawaii. Seus olhos são uma mistura de verde com marrom. Você é a garota mais única que já conheci em toda a minha vida. E se ele não te quis, a culpa não é sua! Ele é o idiota que está te deixando ir. Então, faça-me o favor de arrumar esse cabelo e ir ser feliz.
Os olhos de Laura enchem-se d'água, ela o abraça bem forte e diz enquanto vai embora:
- Chá amanhã, aqui, no mesmo horário.
Texto bobinho, mas sei lá, gostei! /alegre Gosto de escrever diálogos! HAHAHA. Inspirado nessa foto aí de cima que vi antes no tumblr e achei uma graça. /piscando Hoje comprei meu moleskine lindo pra escrever as bobeiras que eu quiser e ganhei um monstrinho azul fofo demais! /amor É isso, tchau!

Sono, sonho

sábado, julho 14, 2012

E hoje eu meio que... sonhei com você. Não foi daqueles sonhos bobos, nos quais você diz que me ama e eu acordo com sorriso no rosto. Foi meio estranho. Foi mais realidade do que sonho, mais tristeza que felicidade. Nele você ia embora. Mas não igual todas as outras vezes, que você ia um pouquinho pra longe e voltava. Dessa vez você foi com tudo, foi pra sempre. O estranho é que eu não me importei. Não chorei, não bati o pé, não sofri, não fiz cara feia. Eu simplesmente sorri.

Acordei no meio da noite, olhei o celular, com saudades, e não tinha nenhuma mensagem ou ligação perdida. Foi aí que caiu a ficha; você já tinha ido embora e aos pouquinhos, não era mais parte da minha vida. Com a constatação inevitável, não bateu tristeza. Bateu foi vontade de um abraço seu, bem apertado. E um tremendo sono!
Primeiro texto do blog, não ficou bom, mas tá bom do mesmo jeito. /lingua É a falta de prática, enfim... Bom resto de final de semana pra mimmmm!