Submersa

quinta-feira, julho 10, 2014

Meu coração estava submerso. Congelado. Parado. Eu podia senti-lo batendo fraquinho no peito, mal conseguindo fazer o seu trabalho. Até o dia em que eu te olhei e não foi como das outras vezes. Eu já tinha te notado há meses, mas não conseguia sentir nada que fizesse minhas pernas tremerem. Até que o universo me deu um soco no estômago e apontou pro seu sorriso dizendo, olha ali, é aquele sorriso que você quer do seu lado. Nessa hora você me fez rir até perder o ar, como sempre fazia. Os meus pés não saíram do chão e nenhuma borboleta revirou no meu estômago. Eu só pude sentir um aperto no coração e um único pensamento tomou conta da minha mente, crescendo até se tornar um grito insistente, uma vontade que me invadia por inteira: eu queria você, de todos os jeitos, em todo lugar, com qualquer humor, em toda e qualquer circunstância, para sempre.

De repente me vi sem controle. E tudo o que eu escrevo agora é sobre você. Não dá para evitar. Você está em cada palavra, em cada canção, em cada pôr-do-sol, em cada tarde chuvosa. E logo eu, que não sentia nada por ninguém, me peguei esquecendo o olhar no seu. Com a mãozinha no rosto, os olhos brilhando e tudo o mais.

Não, eu não te amo. Farei de tudo para não te amar. A gente sabe o momento quando está correndo em direção a maior burrada da vida e eu sinto isso agora. O grito fica mais alto na minha mente a cada passo que eu dou na direção contrária. Cada célula do meu ser implora por você, pelo seu gosto, pelo seu cheiro enquanto a razão tenta me tirar dessa confusão. Tudo me diz que se eu te ter e depois perder, é dor que nenhum remédio consegue aliviar, nem cirurgia vai te tirar de mim.

É como se eu estivesse com as mãos cheias de caixas, conseguindo equilibrar tudo por pouco tempo, esperando o momento delas caírem no chão. Estou colocando um monte de coisas por cima desse sentimento, me mantendo no controle, iludindo a mim mesma. Como se a gente pudesse controlar o que sente! Grande piada. A verdade é que só estou esperando o momento em que vou soltar tudo e deixar se espalhar no chão até te alcançar. Esperando o momento em que você me puxa de volta para perto e não me solta nunca mais.

2 comentários:

  1. Belo texto. Tô passando por uma fase assim na minha vida, me identifiquei, haha.

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