Eu gastei todas as minhas lágrimas aquela noite. Na noite em que vi o quanto as coisas estavam perdidas. E como eu estava no lugar errado. Sabe quando você consegue finalmente entender que aquele não é o lugar que você pertence? Você está ali, mas ao mesmo tempo não está. Foi como um clique na minha cabeça. De repente tive vontade de sair correndo pela rua, em plena madrugada, até chegar na cidade que eu devia estar, com as pessoas que realmente importavam, para viver a vida que era minha até eu jogar no lixo por pura covardia.
Revirei a minha pasta de fotos do ano passado. Todos os sorrisos, todas as pessoas. Meus dedos passaram pelo monitor do computador quase que involuntariamente. Eu tinha medo de que quando começasse a chorar, não conseguiria parar. Eu estava certa. Eram duas horas da manhã e eu não fui dormir. Sentei na varanda, coloquei as minhas músicas favoritas e drenei toda a água do meu corpo relembrando um monte de coisa boa que nunca vou ter de volta.
Por muitos meses não derramei uma lágrima. Acho que eu estava totalmente vazia por dentro, paralisada numa tristeza tão profunda que me impedia de sentir qualquer coisa que não fosse um gigante nada. Eu sou muito boa em enganar as pessoas e incrivelmente habilidosa na arte de me enganar. Estava tudo supostamente bem. Eu tinha um plano, as coisas iam se ajeitar. Até aquela noite. Até eu perceber que não, nada ia ficar bem. A vida é injusta com quem faz as decisões erradas.
Não tem volta. Não tem conserto. Não funciona assim. Você não tem o direito de voltar atrás pelo caminho só porque percebeu ali no meio que ele era completamente errado. Você é obrigado a continuar. Engolir o choro, as consequências, engolir aquilo que te machuca e torcer para encontrar uma bifurcação, qualquer coisa que te dê a chance de sair desse labirinto.
E a vida é injusta
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Elisa Mucida
terça-feira, junho 24, 2014
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desabafo,
despedida,
reflexão
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New perspective
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Elisa Mucida
quinta-feira, junho 12, 2014
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desabafo,
divagação,
texto
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Seis horas da tarde. Minha hora favorita do dia. É quando todo mundo sai do trabalho, quando as ruas estão entupidas de carros, as lojas se fecham, os bares se abrem e as luzes da cidade começam a aparecer. Gosto de ficar sentadinha na varanda observando a rua, o céu começando a escurecer, as poucas estrelas visíveis despontando. Gosto de ver a correria das pessoas, as luzes das casas e dos apartamentos se acendendo e as crianças voltando para casa depois da tarde inteira na escola. Imagino o que elas serão quando crescer, se terão orgulho do que vão se tornar. Se terão saudades da época que elas carregavam uma mochila cheia de cadernos e lápis-de-cor assim como eu tenho. Se vão sentir falta da tranquilidade, da inocência, dos amigos que se afastam, das histórias engraçadas. Se terão vergonha das modas que já seguiram ou das apresentações do dia das mães.
Eu amo olhar para dentro de apartamentos. Sempre me pergunto como será a vida de quem mora ali, o que eles compram no supermercado, se compram sorvete no fim de semana, se são felizes ou se choram toda noite bem baixinho. Me pergunto se são uma família feliz ou se brigam todos os dias, se o cara a ama de verdade ou se está ali porque não tem lugar melhor para ir. Será que todos os cômodos são mobiliados ou num dos quartos o colchão está jogado no piso? Será que ela tem vários produtos espalhados na pia do banheiro ou organiza eles numa gaveta? Será que ele deixa a tampa do vaso levantada e a toalha molhada na cama?
Me pergunto todos os dias como seria viver na pele de centenas de pessoas. Completos desconhecidos. Quero saber o que se passa na cabeça deles, como eles vêem o mundo, qual a perspectiva de cada um. Quero saber se eles têm os mesmos medos que eu, a mesma insegurança, as mesmas dúvidas. Será que todo mundo é doido assim? Será que todo mundo tem essa vontade louca de sair do corpo por alguns dias e viver algo totalmente diferente? Às vezes as coisas ficam tão difíceis que eu queria ter o poder de trocar de vida. Tem dias que é simplesmente insuportável ser eu.
Cold Hearted
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Elisa Mucida
domingo, junho 01, 2014
Tags:
amor,
diálogos
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- I just need one second - he said.
I laugh. He always needed more time. That's why he was always late for everything. I didn't care anymore after a while. He left the bedroom and stopped three steps away from me. I stared at him. The tuxedo, the smile, the hair pointing to different directions. He was perfect. I smiled. My heart skipped a beat. Somehow he noticed that, 'cause he came closer and held me.
- Is everything ok? - he asked.
I felt his cold breathe.
- How could it not be? You're here. And look at you! Perfect.
- Don't be such a liar!
- I'm not lying, you idiot.
I punched him on the shoulder and walked away. He grabbed my wrist and my whole body frozed. His touch was so powerful!
I turned around to face him. He opened that big and perfect smile, with all his teeth on display.
- Damn you! How do you do that? - I screamed.
- Do what?
- This weird effect over me. That's completely unfair.
- It's not. You have the beauty, the smell, the amazing laugh. I have the effect. Fair enough.
I laugh again.
- I love you, did you know that?
He did a surprised face.
- Actually, I didn't.
- I don't say that much.
- I noticed.
- But I'm saying now.
- And I love you hard. I love you so much it hurts me. Do you wanna hear that again? 'Cause you know, unlike you I have a heart.
- Hey! Don't be like that just because I'm not a big fan of public displays of affection.
- I'm sorry. My little cold hearted girl.
- Don't call me that!
- Come on! It's cute.
- Right.
Now it was his turn to laugh at me.
- We should go - he remembered.
- Wait. Just another thing.
I came really close to his ear and whispered.
- Someday I'm gonna tell our kids how much I love you. And when that day comes, I promise you I'll be so freaking sweet and romantic you'll have instantaneous diabetes.
He did a really angry face when I said that. I started to worry. He grabbed my arms and didn't said a thing until we were in the car on our way to the big wedding night. Then, he just couldn't stop laughing. And I knew right there that despite my cold heart, I would always have his warmth.
I laugh. He always needed more time. That's why he was always late for everything. I didn't care anymore after a while. He left the bedroom and stopped three steps away from me. I stared at him. The tuxedo, the smile, the hair pointing to different directions. He was perfect. I smiled. My heart skipped a beat. Somehow he noticed that, 'cause he came closer and held me.
- Is everything ok? - he asked.
I felt his cold breathe.
- How could it not be? You're here. And look at you! Perfect.
- Don't be such a liar!
- I'm not lying, you idiot.
I punched him on the shoulder and walked away. He grabbed my wrist and my whole body frozed. His touch was so powerful!
I turned around to face him. He opened that big and perfect smile, with all his teeth on display.
- Damn you! How do you do that? - I screamed.
- Do what?
- This weird effect over me. That's completely unfair.
- It's not. You have the beauty, the smell, the amazing laugh. I have the effect. Fair enough.
I laugh again.
- I love you, did you know that?
He did a surprised face.
- Actually, I didn't.
- I don't say that much.
- I noticed.
- But I'm saying now.
- And I love you hard. I love you so much it hurts me. Do you wanna hear that again? 'Cause you know, unlike you I have a heart.
- Hey! Don't be like that just because I'm not a big fan of public displays of affection.
- I'm sorry. My little cold hearted girl.
- Don't call me that!
- Come on! It's cute.
- Right.
Now it was his turn to laugh at me.
- We should go - he remembered.
- Wait. Just another thing.
I came really close to his ear and whispered.
- Someday I'm gonna tell our kids how much I love you. And when that day comes, I promise you I'll be so freaking sweet and romantic you'll have instantaneous diabetes.
He did a really angry face when I said that. I started to worry. He grabbed my arms and didn't said a thing until we were in the car on our way to the big wedding night. Then, he just couldn't stop laughing. And I knew right there that despite my cold heart, I would always have his warmth.
Apenas aproveitando o surto de criatividade pra postar algo, mesmo que seja em inglês. /feliz /virado /rei
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