Sobre o Enem...

domingo, outubro 27, 2013

Não é que aquela provinha chata, que consome o seu final de semana todo e te deixa tão cansada a ponto de sair cambaleando da sala tinha uma pérola em meio à 180 questões extensas? Estou escrevendo isso porque ao fazer a prova do segundo dia me deparei com um poema tão simples, tão verdadeiro, que gostei bastante e resolvi publicar aqui. E essas são minhas únicas considerações sobre esse teste de resistência. Deixo o blog pra coisas mais legais. HAHAHA /piscando /alegre

Mal secreto
"Se a cólera que espuma, a dor que mora
N’alma, e destrói cada ilusão que nasce,
Tudo o que punge, tudo o que devora
O coração, no rosto se estampasse;

Se se pudesse o espírito que chora
Ver através da máscara da face,
Quanta gente, talvez, que inveja agora
Nos causa, então piedade nos causasse!


Quanta gente que ri, talvez, consigo
Guarda um atroz, recôndito inimigo,
Como invisível chaga cancerosa!

Quanta gente que ri, talvez existe,
Cuja a ventura única consiste
Em parecer aos outros venturosa!"
(Raimundo Correa)

De coração cheio

quinta-feira, outubro 24, 2013

- Eu não preciso de ninguém! - vociferou ela.
Ele segurou seu braço, mas ela se soltou num movimento brusco e saiu andando rápido na frente. "Não tem espaço para mais nada", ela repetia enquanto ia para casa sem olhar para trás. Ele ficara no mesmo lugar, parado, ainda em choque. Garota esquisita. Ela deixou algumas lágrimas escaparem no caminho. De raiva, não de tristeza. Raiva porque sempre parecia frágil, carente, com cara de cãozinho abandonado. "Eu sei me cuidar! Não preciso e não quero que cuidem de mim. Porque uma hora o cuidado acaba e ele vai embora. Então eu fico aqui, limpando toda a bagunça sozinha. E repetindo esse ciclo estúpido. De novo não!", as frases surgiam em gritos sem parar em sua mente.

Todo mundo tem as suas feridas. As dela estavam abertas, escancaradas e ela sabia que não aguentaria mais nenhum golpe. As coisas estavam dando certo, sabe? Ela estava satisfeita com o que tinha. Faltava um amor, daqueles de bambear as pernas, mas quem se importa? Ela sempre fez péssimas escolhas. Seus amores machucavam, até demais. E lá estava ela, correndo em direção à mais um erro. Mais um acidente.

Ele chegou e as coisas permaneceram no lugar por algum tempo, até ele bagunçar tudo. "Foge!", sua mente gritava constantemente depois que ele jogou todas as suas certeza pelo ar. Ela deu um passo à frente. Depois outro, e outro, e outro, até estar próxima demais. Outra escolha errada. Seus pés não obedeciam aos comandos do cérebro. Até que algo estalou dentro de si. Uma dor excruciante começou a arder em seu peito. Uma lembrança de todos os amores falidos pelos quais tinha passado. Uma lembrança de que se não se virasse agora e se afastasse, ia perder o controle. Então ela cambaleou dois passos para trás.

Acredite ou não, dois passos é bastante coisa! Assim que os deu, conseguiu voltar a respirar. As pernas ficaram firmes, o estômago parou de revirar, a garganta não estava mais seca e ela agora podia pensar com clareza. Idiota! Como foi imprudente se aproximar daquele jeito. E se não tivesse volta? Ela suspirou. Agora o limite estava estabelecido e ela não ousaria ultrapassá-lo. Bem, ao menos não por um bom tempo.