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Pega a solidão e dança

quinta-feira, dezembro 04, 2014

"And you tried to change, didn’t you? Closed your mouth more. Tried to be softer, prettier, less volatile, less awake… You can’t make homes out of human beings. Someone should have already told you that. And if he wants to leave, then let him leave. You are terrifying, and strange, and beautiful. Something not everyone knows how to love." Warsan Shire
Não teve aviso. Não teve placa de néon piscando na minha frente. Nem a minha intuição me alertou para o que estava por vir. Depois daquela tempestade toda, veio uma calmaria cheia de paz. E eu cheguei a acreditar que dessa vez tudo ía dar certo, que o universo estava alinhando as coisas, cortando as pontas soltas, apagando as palavras não ditas, resolvendo os problemas, diminuindo os dramas, tapando o buracão vazio dentro do meu peito. Até a minha mente ficou mais silenciosa, organizada e eu já não escutava aquela bagunça de pensamentos a mil por hora.

Como se me cobrasse por tudo de ruim que eu já fiz, a vida resolveu chover. Choveu forte dentro de mim, o ano todo e bem no finalzinho, quando eu achei que ía dar sol, choveu de novo. Tempestade daquelas com bastante vento, que sai por aí arrastando tudo o que vê pela frente. Arrastou um tanto de gente para longe, arrastou a leveza que eu comecei a sentir depois de tanto tempo. Aconteceu de novo, sabe? Exatamente a mesma coisa. É sempre o mesmo ciclo. É sempre um minutinho de paz no meio de 23 horas e 59 minutos de agonia. Dói e quem me dera fosse metáfora.

Parece que algum pedaço meu se perdeu pelo caminho e prejudicou o funcionamento de todo o resto. Até o meu coração está desistindo de bater no meio dessa escuridão. Porque foi todo mundo embora, sabe? Cada um arrumou o seu par nessa dança e lá pelo fim da noite voltaram para casa, apagando as luzes do salão. E eu fiquei para trás.

New perspective

quinta-feira, junho 12, 2014


Seis horas da tarde. Minha hora favorita do dia. É quando todo mundo sai do trabalho, quando as ruas estão entupidas de carros, as lojas se fecham, os bares se abrem e as luzes da cidade começam a aparecer. Gosto de ficar sentadinha na varanda observando a rua, o céu começando a escurecer, as poucas estrelas visíveis despontando. Gosto de ver a correria das pessoas, as luzes das casas e dos apartamentos se acendendo e as crianças voltando para casa depois da tarde inteira na escola. Imagino o que elas serão quando crescer, se terão orgulho do que vão se tornar. Se terão saudades da época que elas carregavam uma mochila cheia de cadernos e lápis-de-cor assim como eu tenho. Se vão sentir falta da tranquilidade, da inocência, dos amigos que se afastam, das histórias engraçadas. Se terão vergonha das modas que já seguiram ou das apresentações do dia das mães.

Eu amo olhar para dentro de apartamentos. Sempre me pergunto como será a vida de quem mora ali, o que eles compram no supermercado, se compram sorvete no fim de semana, se são felizes ou se choram toda noite bem baixinho. Me pergunto se são uma família feliz ou se brigam todos os dias, se o cara a ama de verdade ou se está ali porque não tem lugar melhor para ir. Será que todos os cômodos são mobiliados ou num dos quartos o colchão está jogado no piso? Será que ela tem vários produtos espalhados na pia do banheiro ou organiza eles numa gaveta? Será que ele deixa a tampa do vaso levantada e a toalha molhada na cama?

Me pergunto todos os dias como seria viver na pele de centenas de pessoas. Completos desconhecidos. Quero saber o que se passa na cabeça deles, como eles vêem o mundo, qual a perspectiva de cada um. Quero saber se eles têm os mesmos medos que eu, a mesma insegurança, as mesmas dúvidas. Será que todo mundo é doido assim? Será que todo mundo tem essa vontade louca de sair do corpo por alguns dias e viver algo totalmente diferente? Às vezes as coisas ficam tão difíceis que eu queria ter o poder de trocar de vida. Tem dias que é simplesmente insuportável ser eu.

Morada

quinta-feira, dezembro 05, 2013


Me desculpa. É, eu tô te implorando por perdão. Eu fiz de novo. Eu me deixei levar. Eu me entreguei de novo. Do mesmo jeito estúpido de sempre. Eu não consigo, não tenho forças. Sou uma covarde, não sei brincar de desapegada, desligada do mundo. Eu não sou como essas pessoas que se amam por uns segundos e depois tchau. Peraí, tchau? Mas mal deu tempo de dizer oi!

E não me venha com essa história de carência. Eu sou verdadeiramente feliz e completa com quem está do meu lado. O problema é que eu não gosto de deixar ninguém partir. Ei, cara, por que cê já tá indo embora? Olha a casa de novo. Você reparou o cafézinho em cima da mesa? Qual é o problema? O que tem de errado com a sala? Por que ninguém se senta no sofá e fica? Não precisa ser pela eternidade, sabe? Pode ser até a novela das 9 acabar.

Ou quem sabe por uns meses? Quando o café ficar frio, amargo e sem graça, aí você vai, tudo bem? Faz esse trato comigo. Faz alguma coisa. Me dá alguma resposta. Me diz porque você tá indo embora agora. Me conta o que tem de errado comigo, com essa droga de casa. Você foi no quarto, é isso? Viu a bagunça que eu faço, viu todos os meus sentimentos espalhados e misturados. Foi isso não foi? Ah, droga!

Ou você descobriu outro lugar pra ficar? Pode dizer, eu aguento. A vizinhança toda já sabe que eu não sou o melhor lugar pra se hospedar. Só me diz o que foi. O que tá passando na sua cabeça, na sua vida. Me deixa te conhecer. Sem pretensões, eu juro. Eu preciso disso pra acalmar a minha mente.

Pular de cabeça nesse precipício nunca foi uma opção. Eu tenho fobia de altura. Eu não vou pular. Eu não vou me arrebentar por inteiro quando chegar no fim. Então, olha só, eu acho melhor fechar as portas desse lugar antes que as coisas piorem. E eu preciso que você saia. De vez.

O problema com os meus textos

quarta-feira, novembro 20, 2013

Eu simplesmente não consigo escrever. Ou melhor, não consigo terminar um texto sequer. Que droga! Já pensei em publicar as minhas metades, mas nem isso eu tenho. Eu tenho algumas linhas, será que serve? Será que tem alguém interessado em ler linhas soltas por aí? Eu não estaria. Bem, eu não sou um bom padrão de qualidade. Sou sistemática, perfeccionista quando se trata do que eu escrevo. Isso é um problema, um sério problema. Pareço um robô escrevendo! Droga!

Vê a confusão? Eu começo um assunto e parto para outro numa velocidade desnecessária. Misturo amor com tristeza e passarinhos e uma viagem até a lua. (Ahn?) Odeio isso. Odeio o tanto que eu sou uma bagunça. Até nos meus textos! Ah cara, nos textos não... Os textos eram a minha especialidade. Era o que eu sabia fazer, uma das minhas certezas, entende?

E o mais irônico de tudo é que nem esse aqui eu consigo dar um fim. Eu até arquivaria ele por aqui até eu ter mais alguma coisa para falar, mas já tem uma pilha guardada esperando uma conclusão. Chega né? Esse aqui vai assim, incompleto, esquisito. Depois a gente vê o que faz.

Vamos voar?

sábado, outubro 20, 2012


Eu queria ser um daqueles passarinhos bem coloridos. Quem sabe assim eu poderia voar pra longe quando a tristeza batesse. Sou o tipo de pessoa que foge ao me deparar com problemas e isso é tudo que eu gostaria de fazer agora. Voar para um lugar onde eu encontrasse paz e pessoas que não vão embora quando mais precisamos.

Enquanto não arrumo um par de asas ou uma passagem de ônibus, tento recuperar um pouquinho das forças lembrando de bons momentos, boas músicas e bons amigos. Sei que não posso viver de memórias, é até patetico, mas por agora é o que me sustenta. Espero que tudo se ajeite com o tempo.

Até lá, arrumo a casa. Coloco os sentimentos no lugar, mando alguns para bem longe, trago outros de volta, arrumo espaço para novos amores, novas amizades. Hora de mudar as posições, hora de desapegar e parar de criar expectativas. Aliás, já passou da hora. Hora de crescer. Deixar de ser um filhote no ninho que mal sabe resolver as coisas por si próprio para voar longe, voar muito.