
Um sino tocou naquela noite e ele levantou o olhar. Alguém acabara de passar pela porta da biblioteca: uma garota intrigante, de pele branca como a neve que forrava as calçadas e cabelos longos, pretos como carvão. Ela tinha uma bolsa desgastada pendurada no ombro da qual ele pôde ver alguns livros saindo para fora e um pequeno crachá da biblioteca. Parecia como qualquer outra, mas algo se mexeu dentro dele ao olhá-la através das janelas. Algo muito mais forte do que borboletas no estômago, alguma coisa parecida com um furacão de calor e frio percorrendo todo o seu corpo.
Inquieto, ele saiu pelas ruas em direção ao seu apartamento pensando em como descobriria o nome daquela garota. Na metade do caminho Pedro encontrou um pequeno pingente debaixo do banco da praça. Pegou-o, analisou o objeto na palma da mão e por fim colocou-o no bolso. Continuou andando, agora um pouco mais apressado já que os flocos de neve voltavam a cair.
Ao chegar em casa entrou no banho para amenizar o frio, pediu pizza pelo telefone, colocou um filme de ação qualquer no DVD e se jogou no sofá. Pedro morava sozinho em Nova York, estagiava meio período num hospital do bairro e na parte da manhã fazia faculdade de medicina. Fazia não pelo dinheiro, mas porque amava, porque queria salvar vidas. Tinha os cabelos castanhos avermelhados bagunçados, os olhos intensos e negros e o maxilar definido. Era simpático e dono de um sorriso tão bonito que chegava a ser perigoso. Naquela noite ele adormeceu ali mesmo na sala e como era de se esperar sonhou com a tal bibliotecária.
Quer entender melhor essa história? Então entra aqui e leia a parte I.



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