O problema com os meus textos

quarta-feira, novembro 20, 2013

Eu simplesmente não consigo escrever. Ou melhor, não consigo terminar um texto sequer. Que droga! Já pensei em publicar as minhas metades, mas nem isso eu tenho. Eu tenho algumas linhas, será que serve? Será que tem alguém interessado em ler linhas soltas por aí? Eu não estaria. Bem, eu não sou um bom padrão de qualidade. Sou sistemática, perfeccionista quando se trata do que eu escrevo. Isso é um problema, um sério problema. Pareço um robô escrevendo! Droga!

Vê a confusão? Eu começo um assunto e parto para outro numa velocidade desnecessária. Misturo amor com tristeza e passarinhos e uma viagem até a lua. (Ahn?) Odeio isso. Odeio o tanto que eu sou uma bagunça. Até nos meus textos! Ah cara, nos textos não... Os textos eram a minha especialidade. Era o que eu sabia fazer, uma das minhas certezas, entende?

E o mais irônico de tudo é que nem esse aqui eu consigo dar um fim. Eu até arquivaria ele por aqui até eu ter mais alguma coisa para falar, mas já tem uma pilha guardada esperando uma conclusão. Chega né? Esse aqui vai assim, incompleto, esquisito. Depois a gente vê o que faz.

Sobre o Enem...

domingo, outubro 27, 2013

Não é que aquela provinha chata, que consome o seu final de semana todo e te deixa tão cansada a ponto de sair cambaleando da sala tinha uma pérola em meio à 180 questões extensas? Estou escrevendo isso porque ao fazer a prova do segundo dia me deparei com um poema tão simples, tão verdadeiro, que gostei bastante e resolvi publicar aqui. E essas são minhas únicas considerações sobre esse teste de resistência. Deixo o blog pra coisas mais legais. HAHAHA /piscando /alegre

Mal secreto
"Se a cólera que espuma, a dor que mora
N’alma, e destrói cada ilusão que nasce,
Tudo o que punge, tudo o que devora
O coração, no rosto se estampasse;

Se se pudesse o espírito que chora
Ver através da máscara da face,
Quanta gente, talvez, que inveja agora
Nos causa, então piedade nos causasse!


Quanta gente que ri, talvez, consigo
Guarda um atroz, recôndito inimigo,
Como invisível chaga cancerosa!

Quanta gente que ri, talvez existe,
Cuja a ventura única consiste
Em parecer aos outros venturosa!"
(Raimundo Correa)

De coração cheio

quinta-feira, outubro 24, 2013

- Eu não preciso de ninguém! - vociferou ela.
Ele segurou seu braço, mas ela se soltou num movimento brusco e saiu andando rápido na frente. "Não tem espaço para mais nada", ela repetia enquanto ia para casa sem olhar para trás. Ele ficara no mesmo lugar, parado, ainda em choque. Garota esquisita. Ela deixou algumas lágrimas escaparem no caminho. De raiva, não de tristeza. Raiva porque sempre parecia frágil, carente, com cara de cãozinho abandonado. "Eu sei me cuidar! Não preciso e não quero que cuidem de mim. Porque uma hora o cuidado acaba e ele vai embora. Então eu fico aqui, limpando toda a bagunça sozinha. E repetindo esse ciclo estúpido. De novo não!", as frases surgiam em gritos sem parar em sua mente.

Todo mundo tem as suas feridas. As dela estavam abertas, escancaradas e ela sabia que não aguentaria mais nenhum golpe. As coisas estavam dando certo, sabe? Ela estava satisfeita com o que tinha. Faltava um amor, daqueles de bambear as pernas, mas quem se importa? Ela sempre fez péssimas escolhas. Seus amores machucavam, até demais. E lá estava ela, correndo em direção à mais um erro. Mais um acidente.

Ele chegou e as coisas permaneceram no lugar por algum tempo, até ele bagunçar tudo. "Foge!", sua mente gritava constantemente depois que ele jogou todas as suas certeza pelo ar. Ela deu um passo à frente. Depois outro, e outro, e outro, até estar próxima demais. Outra escolha errada. Seus pés não obedeciam aos comandos do cérebro. Até que algo estalou dentro de si. Uma dor excruciante começou a arder em seu peito. Uma lembrança de todos os amores falidos pelos quais tinha passado. Uma lembrança de que se não se virasse agora e se afastasse, ia perder o controle. Então ela cambaleou dois passos para trás.

Acredite ou não, dois passos é bastante coisa! Assim que os deu, conseguiu voltar a respirar. As pernas ficaram firmes, o estômago parou de revirar, a garganta não estava mais seca e ela agora podia pensar com clareza. Idiota! Como foi imprudente se aproximar daquele jeito. E se não tivesse volta? Ela suspirou. Agora o limite estava estabelecido e ela não ousaria ultrapassá-lo. Bem, ao menos não por um bom tempo.

Um Pedacinho de Ouro Preto

quarta-feira, setembro 18, 2013

No comecinho do mês minha turma fez uma excursão pra Ouro Preto. Aproveitei os monumentos e casinhas que pareciam ter saído de um filme de época para tirar algumas fotos. Não tive tempo (nem paciência, confesso /envergonhado) para editar as fotos de um jeito melhorzinho, mas eu gostei mesmo assim. /lingua










Eu realmente amei a primeira foto /amor e amei o passeio com os amigos. Enfim, é só. /feliz

I Wish You Were Here, I Guess

quinta-feira, setembro 12, 2013

Dá play nessa música aqui antes de ler! /feliz
Aquela foi a primeira vez que eu o vi. Ele não me conhecia. E eu nem sabia o seu nome. Ele me olhou de relance e eu desviei. Abri um sorriso fraco. Deus!, como eu queria ele para mim, assim, em apenas dois minutos. Ele não sorria muito. Era como um dilema, um código a ser decifrado. Eu não conseguia imaginar o que passava em sua mente. Nenhuma pista. Sacudi a cabeça. "Qual é, não tem como se apaixonar por alguém que você não conhece. Se concentra."

Eu o esqueci por algumas horas. Mas não deu. Cada dia eu descobria um pedaço novo dele. Seu nome. Sua banda favorita. Seu sorriso. Ah! O dia em que ele sorriu. Eu, estupidamente, sorri junto. "Idiota! Para de sorrir. Ele não te conhece. Qual é o seu problema?" Era lindo. O sorriso, eu quero dizer. Se bem que... o jeito como ele andava e falava e todo o resto também.

Era um sentimento bom. Sem decepções. Minha perna sucumbia e meu estômago revirava quando ele aparecia. Até que isso deixou de ser suficiente. Eu não queria só vê-lo. Eu queria ele comigo. "Pelo amor de Deus garota, como você quer alguém com quem nunca trocou duas palavras?" Não sei! Eu juro que... não sei.

Uma pequena divagação sobre o amor

sexta-feira, agosto 23, 2013

Posso te dar uma dica? Lê esse post escutando James Morrison, I Won't Let You Go. Deu play? Então vai, entra na história! /feliz
- Vem, vamos dançar - ele diz se levantando.
- Nem pensar! Não quero.
- Não quer ou tem medo do que os outros vão pensar?
- Hm... - eu hesito.
- Anda, vamos - ele diz e estende o braço na minha direção.
- Certo - digo apertando sua mão e ele aperta a minha de volta, me transmitindo segurança.
Ele me carrega até a pista de dança onde uma música lenta e suave começa a tocar. Coloca a mão em minha cintura e eu enrosco os braços em seu pescoço. Damos algumas voltas completamente mudos pelo salão improvisado até que eu quebro o silêncio.
- Ouvi você e seu pai conversando ontem. Sabe, sobre você não querer se apaixonar e tudo o mais...
- Eu não disse isso. Disse que não estava pronto.
- Certo.
- Você não entende.
- Realmente.
- Não posso entrar nisso agora. Não vou te fazer sofrer.
- Você não sente nada por mim, apenas admita e evitamos todo o sofrimento.
- Isso não é verdade.
- Prove.
- Não posso.
- Então é verdade.
- Deus! Como você é teimosa.

- E você um tremendo mentiroso.
- Ei, olhe para mim. Eu não posso me apaixonar agora. Entende isso? Eu tenho medo de sumir daqui a alguns meses e te deixar sozinha, decepcionada.
- Não pode se apaixonar agora? Que tipo de pessoa consegue freiar o amor? Ou até mesmo dizer a ele quando pode chegar? Amor verdadeiro simplesmente chega a hora que quer, se instala da maneira que preferir e antes que você perceba ele está ali se misturando com o que você é, com a sua essência. Ele faz parte de você, é involuntário como as batidas do coração.
- Você é maluca.
- Por que?
- Essa sua concepção ridícula de amor.
- Ah é? E qual é a sua?
- Primeiramente, amor verdadeiro? O que é isso? Uma subclasse do amor? Não tem dessa de verdadeiro ou falso. É amor mesmo com todas as suas peculiaridades e ponto. Depois, que tipo de amor é esse que chega do nada, mudando tudo o que vê pela frente? Se chega tão rápido assim, vai embora mais rápido ainda e não é isso o que eu quero. Quero algo que dure para sempre, entende? Como um fogo que nunca se apaga.
- Você é ridículo, não sabe o que está falando.
- É claro que você iria bater o pé - reclama ele.
- E você não aceita que está errado.
- Porque não estou! O que você acabou de descrever é paixão, não amor. E acredite, tem uma enorme diferença entre os dois.
- Me explique então, já que você é especialista no assunto - digo, irônica.
- Amor não é esse sentimento insano que chega rasgando seu peito após algumas trocas de palavras e te faz ter vontade de fugir pelo mundo com alguém. É algo lento, um processo dos mais complicados. Ele se constrói em cima de alegrias, tristezas, defeitos e qualidades.
- Talvez você esteja certo.
- Como é que é? Você está dando o braço a torcer?
- Não!
- Está sim. Que orgulho!
- Cala a boca.
Ele dá um risinho debochado e olha nos fundos dos meus olhos. Ele está tão certo! Argh, como eu odeio admitir isso. Odeio mais ainda saber que o que eu sinto por ele é exatamente essa coisinha que ele acaba de descrever perfeitamente.
- Talvez eu te ame - ele sussura no meu ouvido, um segundo antes da música acabar e sorri.
- Talvez eu te ame também - digo sorrindo de volta.

O observador

domingo, agosto 04, 2013


Um sino tocou naquela noite e ele levantou o olhar. Alguém acabara de passar pela porta da biblioteca: uma garota intrigante, de pele branca como a neve que forrava as calçadas e cabelos longos, pretos como carvão. Ela tinha uma bolsa desgastada pendurada no ombro da qual ele pôde ver alguns livros saindo para fora e um pequeno crachá da biblioteca. Parecia como qualquer outra, mas algo se mexeu dentro dele ao olhá-la através das janelas. Algo muito mais forte do que borboletas no estômago, alguma coisa parecida com um furacão de calor e frio percorrendo todo o seu corpo.

Inquieto, ele saiu pelas ruas em direção ao seu apartamento pensando em como descobriria o nome daquela garota. Na metade do caminho Pedro encontrou um pequeno pingente debaixo do banco da praça. Pegou-o, analisou o objeto na palma da mão e por fim colocou-o no bolso. Continuou andando, agora um pouco mais apressado já que os flocos de neve voltavam a cair.

Ao chegar em casa entrou no banho para amenizar o frio, pediu pizza pelo telefone, colocou um filme de ação qualquer no DVD e se jogou no sofá. Pedro morava sozinho em Nova York, estagiava meio período num hospital do bairro e na parte da manhã fazia faculdade de medicina. Fazia não pelo dinheiro, mas porque amava, porque queria salvar vidas. Tinha os cabelos castanhos avermelhados bagunçados, os olhos intensos e negros e o maxilar definido. Era simpático e dono de um sorriso tão bonito que chegava a ser perigoso. Naquela noite ele adormeceu ali mesmo na sala e como era de se esperar sonhou com a tal bibliotecária.
Quer entender melhor essa história? Então entra aqui e leia a parte I.