Drama Queen

quinta-feira, dezembro 11, 2014


Minha mãe diz que eu sou muito exagerada e odeio admitir que ela está certa. Eu sempre coloquei intensidade demais em tudo. Não é fácil ser assim, sabe? Você se machuca mais, qualquer cortezinho dói. Me lembro que aos 10 anos tempestade em copo d'água era a minha especialidade. Quem eu quero enganar? Essa é a minha especialidade até hoje! Talvez eu tive muita inveja daquelas novelas mexicanas bem bregas e quis transformar a minha vida em uma. Qualquer coisinha é motivo de reflexão, de encher a cabeça procurando sentido. Uma conversa já é desculpa para questionar a vida, as amizades, as minhas escolhas. Às vezes esqueço que a vida não foi feita para ser superestimada nem explicada. A vida é só a vida, sabe? Tem erros, tem mais erros, tem dúvida, tem mistério, tem coisa jogada ao ar. Tem aquele frio na barriga de não conseguir decifrar o que as pessoas sentem quando te vêem ou quando conversam com você. Por que que graça teria se todo mundo já viesse com seus sentimentos escritos na testa?

Na maioria do tempo é difícil para mim ser assim, leve. Como boa dramática, minha cabeça sempre dá um jeito de aumentar o lado ruim das coisas. No meio daquele monte de palavras boas, no meio daquele amor todo, ela consegue achar o erro, ela acha aquela palavrinha que estava ali seca, sem graça, sem vida, sem sentimento. E isso fode todo o resto. Porque na minha vida suspeita é sinônimo de tristeza. Eu preciso de um lugarzinho seguro para morar. Viver esperando o momento em que as pessoas que você mais ama vão te dar as costas e te deixar ali, em pé, com uma mala de coisas para falar e um monte de sentimento condensado no coração não é justo. Deviam inventar uma lei que proibisse isso de ir embora sem dar tchau, deixar de amar sem ensinar o outro a fazer o mesmo. É que tem gente que assim como eu, dramatiza. Faz aquela partida ser o fim do mundo, ser a dor mais forte que já sentiu. Faz a perda ser um buraco no peito que impede o ar de entrar nos pulmões. Viu só? Sou feita de drama.

Eu queria que pelo menos a maior parte da minha vida fosse assim do jeitinho que me sinto hoje. Suspirando pelos cantos, dançando sozinha no meio da sala, rindo para o espelho e sentindo o coração apertadinho dentro do peito, de tanta felicidade. Tudo isso porque a minha mente deu descanso e não quer mais desvendar cada fato do meu cotidiano. Ela decidiu aceitar tudo aquilo que não posso controlar. Decidiu amar quem eu tenho do meu lado e parar de tentar ganhar de volta aqueles que bateram a porta sem olhar para trás. Me sinto desarmada, pela primeira vez em três anos. É assustador. Parece que a qualquer momento alguém vai chegar pedindo as contas dessa alegria toda. Ou alguém vai sumir, levando tudo o que eu sou. De qualquer jeito, me recuso a colocar todas as defesas no lugar, porque posso sentir de novo meu coração batendo. Mesmo que bem fraquinho, ele está voltando a ser como era antes de toda aquela dor. E assim a vida até começa a valer a pena.

Pega a solidão e dança

quinta-feira, dezembro 04, 2014

"And you tried to change, didn’t you? Closed your mouth more. Tried to be softer, prettier, less volatile, less awake… You can’t make homes out of human beings. Someone should have already told you that. And if he wants to leave, then let him leave. You are terrifying, and strange, and beautiful. Something not everyone knows how to love." Warsan Shire
Não teve aviso. Não teve placa de néon piscando na minha frente. Nem a minha intuição me alertou para o que estava por vir. Depois daquela tempestade toda, veio uma calmaria cheia de paz. E eu cheguei a acreditar que dessa vez tudo ía dar certo, que o universo estava alinhando as coisas, cortando as pontas soltas, apagando as palavras não ditas, resolvendo os problemas, diminuindo os dramas, tapando o buracão vazio dentro do meu peito. Até a minha mente ficou mais silenciosa, organizada e eu já não escutava aquela bagunça de pensamentos a mil por hora.

Como se me cobrasse por tudo de ruim que eu já fiz, a vida resolveu chover. Choveu forte dentro de mim, o ano todo e bem no finalzinho, quando eu achei que ía dar sol, choveu de novo. Tempestade daquelas com bastante vento, que sai por aí arrastando tudo o que vê pela frente. Arrastou um tanto de gente para longe, arrastou a leveza que eu comecei a sentir depois de tanto tempo. Aconteceu de novo, sabe? Exatamente a mesma coisa. É sempre o mesmo ciclo. É sempre um minutinho de paz no meio de 23 horas e 59 minutos de agonia. Dói e quem me dera fosse metáfora.

Parece que algum pedaço meu se perdeu pelo caminho e prejudicou o funcionamento de todo o resto. Até o meu coração está desistindo de bater no meio dessa escuridão. Porque foi todo mundo embora, sabe? Cada um arrumou o seu par nessa dança e lá pelo fim da noite voltaram para casa, apagando as luzes do salão. E eu fiquei para trás.

Colocando abaixo alguns muros

terça-feira, setembro 30, 2014

Tenho tido tanta dificuldade para escrever ultimamente. Há um tempo atrás eu era capaz de despejar todos os meus sentimentos em palavras num piscar de olhos, agora algo simplesmente me trava. Uma constante sensação de que tudo o que eu disser vai ser clichê demais, brega demais, romântico demais. Medo de que todos comecem a enxergar a fraqueza dentro de mim. A garotinha iludida, idealista, que acredita num amor que dure para sempre, até mesmo com aquele que eu nunca poderei ter, aquele que simplesmente não me quer. 

Desde que eu me conheço por gente as coisas sempre foram assim, entende? Quero aquilo que me faz mal, aquilo que me machuca, o inalcançável, o mais difícil, o mais misterioso, o que me faz pensar e repensar todos os meus passos em busca de sentido. Gosto do que revira tudo em mim, me deixa de ponta cabeça perguntando onde eu errei e me faz querer ser o melhor que eu posso ser. E o pior que eu posso ser: idiota, perdidamente encantada, daqueles tipinhos que mal conseguem disfarçar. Totalmente viciada, fixada na ideia de que eu quero é ele e mais ninguém. Cega, incapaz de perceber todos os sinais de perigo que praticamente gritam enquanto eu avanço, me avisando que estou prestes a pisar em falso no maior precipício de todos.

Viu? Totalmente clichê. Ridícula. Mentindo para mim mesma. Quem eu quero enganar? Meu coração grita tão alto quando você passa pela porta! Eu desmaio por um segundo quando você me abraça forte e logo volto à realidade, sem ar. E quando vejo seu sorriso, o meu se abre acanhado, como se dissesse que não é páreo para competir com o seu. Não quero beijar mais ninguém. Acho que isso é amor. E eu quero você. Mil vezes você. Um milhão de vezes você. Em todas as vidas que eu tiver.
E ah, só pra deixar claro, o texto não tem quase nenhuma relação com a realidade hahaha /piscando /envergonhado

Submersa

quinta-feira, julho 10, 2014

Meu coração estava submerso. Congelado. Parado. Eu podia senti-lo batendo fraquinho no peito, mal conseguindo fazer o seu trabalho. Até o dia em que eu te olhei e não foi como das outras vezes. Eu já tinha te notado há meses, mas não conseguia sentir nada que fizesse minhas pernas tremerem. Até que o universo me deu um soco no estômago e apontou pro seu sorriso dizendo, olha ali, é aquele sorriso que você quer do seu lado. Nessa hora você me fez rir até perder o ar, como sempre fazia. Os meus pés não saíram do chão e nenhuma borboleta revirou no meu estômago. Eu só pude sentir um aperto no coração e um único pensamento tomou conta da minha mente, crescendo até se tornar um grito insistente, uma vontade que me invadia por inteira: eu queria você, de todos os jeitos, em todo lugar, com qualquer humor, em toda e qualquer circunstância, para sempre.

De repente me vi sem controle. E tudo o que eu escrevo agora é sobre você. Não dá para evitar. Você está em cada palavra, em cada canção, em cada pôr-do-sol, em cada tarde chuvosa. E logo eu, que não sentia nada por ninguém, me peguei esquecendo o olhar no seu. Com a mãozinha no rosto, os olhos brilhando e tudo o mais.

Não, eu não te amo. Farei de tudo para não te amar. A gente sabe o momento quando está correndo em direção a maior burrada da vida e eu sinto isso agora. O grito fica mais alto na minha mente a cada passo que eu dou na direção contrária. Cada célula do meu ser implora por você, pelo seu gosto, pelo seu cheiro enquanto a razão tenta me tirar dessa confusão. Tudo me diz que se eu te ter e depois perder, é dor que nenhum remédio consegue aliviar, nem cirurgia vai te tirar de mim.

É como se eu estivesse com as mãos cheias de caixas, conseguindo equilibrar tudo por pouco tempo, esperando o momento delas caírem no chão. Estou colocando um monte de coisas por cima desse sentimento, me mantendo no controle, iludindo a mim mesma. Como se a gente pudesse controlar o que sente! Grande piada. A verdade é que só estou esperando o momento em que vou soltar tudo e deixar se espalhar no chão até te alcançar. Esperando o momento em que você me puxa de volta para perto e não me solta nunca mais.

E a vida é injusta

terça-feira, junho 24, 2014

Eu gastei todas as minhas lágrimas aquela noite. Na noite em que vi o quanto as coisas estavam perdidas. E como eu estava no lugar errado. Sabe quando você consegue finalmente entender que aquele não é o lugar que você pertence? Você está ali, mas ao mesmo tempo não está. Foi como um clique na minha cabeça. De repente tive vontade de sair correndo pela rua, em plena madrugada, até chegar na cidade que eu devia estar, com as pessoas que realmente importavam, para viver a vida que era minha até eu jogar no lixo por pura covardia.

Revirei a minha pasta de fotos do ano passado. Todos os sorrisos, todas as pessoas. Meus dedos passaram pelo monitor do computador quase que involuntariamente. Eu tinha medo de que quando começasse a chorar, não conseguiria parar. Eu estava certa. Eram duas horas da manhã e eu não fui dormir. Sentei na varanda, coloquei as minhas músicas favoritas e drenei toda a água do meu corpo relembrando um monte de coisa boa que nunca vou ter de volta.

Por muitos meses não derramei uma lágrima. Acho que eu estava totalmente vazia por dentro, paralisada numa tristeza tão profunda que me impedia de sentir qualquer coisa que não fosse um gigante nada. Eu sou muito boa em enganar as pessoas e incrivelmente habilidosa na arte de me enganar. Estava tudo supostamente bem. Eu tinha um plano, as coisas iam se ajeitar. Até aquela noite. Até eu perceber que não, nada ia ficar bem. A vida é injusta com quem faz as decisões erradas.

Não tem volta. Não tem conserto. Não funciona assim. Você não tem o direito de voltar atrás pelo caminho só porque percebeu ali no meio que ele era completamente errado. Você é obrigado a continuar. Engolir o choro, as consequências, engolir aquilo que te machuca e torcer para encontrar uma bifurcação, qualquer coisa que te dê a chance de sair desse labirinto.

New perspective

quinta-feira, junho 12, 2014


Seis horas da tarde. Minha hora favorita do dia. É quando todo mundo sai do trabalho, quando as ruas estão entupidas de carros, as lojas se fecham, os bares se abrem e as luzes da cidade começam a aparecer. Gosto de ficar sentadinha na varanda observando a rua, o céu começando a escurecer, as poucas estrelas visíveis despontando. Gosto de ver a correria das pessoas, as luzes das casas e dos apartamentos se acendendo e as crianças voltando para casa depois da tarde inteira na escola. Imagino o que elas serão quando crescer, se terão orgulho do que vão se tornar. Se terão saudades da época que elas carregavam uma mochila cheia de cadernos e lápis-de-cor assim como eu tenho. Se vão sentir falta da tranquilidade, da inocência, dos amigos que se afastam, das histórias engraçadas. Se terão vergonha das modas que já seguiram ou das apresentações do dia das mães.

Eu amo olhar para dentro de apartamentos. Sempre me pergunto como será a vida de quem mora ali, o que eles compram no supermercado, se compram sorvete no fim de semana, se são felizes ou se choram toda noite bem baixinho. Me pergunto se são uma família feliz ou se brigam todos os dias, se o cara a ama de verdade ou se está ali porque não tem lugar melhor para ir. Será que todos os cômodos são mobiliados ou num dos quartos o colchão está jogado no piso? Será que ela tem vários produtos espalhados na pia do banheiro ou organiza eles numa gaveta? Será que ele deixa a tampa do vaso levantada e a toalha molhada na cama?

Me pergunto todos os dias como seria viver na pele de centenas de pessoas. Completos desconhecidos. Quero saber o que se passa na cabeça deles, como eles vêem o mundo, qual a perspectiva de cada um. Quero saber se eles têm os mesmos medos que eu, a mesma insegurança, as mesmas dúvidas. Será que todo mundo é doido assim? Será que todo mundo tem essa vontade louca de sair do corpo por alguns dias e viver algo totalmente diferente? Às vezes as coisas ficam tão difíceis que eu queria ter o poder de trocar de vida. Tem dias que é simplesmente insuportável ser eu.

Cold Hearted

domingo, junho 01, 2014

- I just need one second - he said.
I laugh. He always needed more time. That's why he was always late for everything. I didn't care anymore after a while. He left the bedroom and stopped three steps away from me. I stared at him. The tuxedo, the smile, the hair pointing to different directions. He was perfect. I smiled. My heart skipped a beat. Somehow he noticed that, 'cause he came closer and held me.

- Is everything ok? - he asked.
I felt his cold breathe.
- How could it not be? You're here. And look at you! Perfect.
- Don't be such a liar!
- I'm not lying, you idiot.
I punched him on the shoulder and walked away. He grabbed my wrist and my whole body frozed. His touch was so powerful!
I turned around to face him. He opened that big and perfect smile, with all his teeth on display.
- Damn you! How do you do that? - I screamed.
- Do what?
- This weird effect over me. That's completely unfair.
- It's not. You have the beauty, the smell, the amazing laugh. I have the effect. Fair enough.
I laugh again.
- I love you, did you know that?
He did a surprised face.
- Actually, I didn't.
- I don't say that much.
- I noticed.
- But I'm saying now.
- And I love you hard. I love you so much it hurts me. Do you wanna hear that again? 'Cause you know, unlike you I have a heart.
- Hey! Don't be like that just because I'm not a big fan of public displays of affection.
- I'm sorry. My little cold hearted girl.
- Don't call me that!
- Come on! It's cute.
- Right.
Now it was his turn to laugh at me.
- We should go - he remembered.
- Wait. Just another thing.
I came really close to his ear and whispered.
- Someday I'm gonna tell our kids how much I love you. And when that day comes, I promise you I'll be so freaking sweet and romantic you'll have instantaneous diabetes.

He did a really angry face when I said that. I started to worry. He grabbed my arms and didn't said a thing until we were in the car on our way to the big wedding night. Then, he just couldn't stop laughing. And I knew right there that despite my cold heart, I would always have his warmth.
Apenas aproveitando o surto de criatividade pra postar algo, mesmo que seja em inglês. /feliz /virado /rei