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O nosso quebra-cabeça

quinta-feira, julho 25, 2013

Eu tenho um tanto de textos incompletos guardados. Trechinhos, versinhos, tudo para você. Às vezes eu não consigo encontrar as palavras certas e parece que nada se encaixa. Então eu deixo aquele projeto de história guardado, quem sabe um dia as coisas se ajeitam não é? Acho que isso é um reflexo do que eu sempre fiz com a gente. Sempre guardei um pouco de esperança numa caixinha, e você se encarregava de nunca deixá-la se esvaziar. Porque eu achava que um dia o nosso quebra-cabeça ia magicamente se completar.

Alguns desses textos eu amassei e joguei fora, outros eu deletei do computador e alguns estão aqui porque gosto do comecinho, mas não consigo imaginar um final e muito menos um desenvolvimento. Entende agora quando digo que eles são uma metáfora do nosso sentimento? Teve aquele começo bom, cheio de borboletas no estômago e quase foi para frente. Você quase sentiu o que eu sentia, não é? Ah vai, confessa que você chegou perto!

Aí a criatividade foi embora. Deu crise, a gente se perdeu, as borboletas voaram, as palavras sumiram. O calor que eu sentia ao te ver virou aquele frio cortante. Eu ainda tentei escrever mais algumas linhas. Tentei colocar um adverbo aqui, um sujeito composto ali. Mas não adiantou. É que não temos meio, nem conclusão. Não temos nada, nem um mero título.

Foi numa dessas tentativas que eu percebi que o nosso quebra-cabeça sempre deu errado porque você não era a peça certa para mim. Então eu peguei as nossas linhas de introdução e joguei fora. Isso aí cara, joguei tudo no lixo, cada palavra grudada no papel. Deu uma dorzinha no coração, aquela que todo escritor sente ao ver uma história se frustrando, mas passou. Afinal, há sempre novas histórias e uma delas algum dia se completa sem forçar a barra, sem todo aquele stress. Assim, naturalmente.
Feliz dia do escritor pra todos que escrevem, seja em caderninhos, blog ou livros ne? hehehe Olha só, consegui escrever algo depois de meses. uhul /feliz

Infindáveis

segunda-feira, dezembro 03, 2012

Livros são intermináveis, sem final definido. Já reparou nisso? Podemos ler até a última página, mas sempre haverá mais. O autor sempre deixa brechas para uma nova história, um novo capítulo. Talvez você tenha lido até o último livro de uma coleção, saga ou trilogia, porém nunca acaba ali. A história tem continuação na mente de cada leitor, de maneiras diferentes e peculiares, e no coração de quem escreve.

Reparei isso ao chegar ao fim de um dos meus livros favoritos. É claro que as coisas se ajeitaram, deram certo, tudo terminou incrivelmente perfeito... Mas faltavam partes a serem esclarecidas, dúvidas pairaram no ar e ainda havia muita história pela frente. Histórias que serão esclarecidas pela autora algum dia ou que eu terei de resolvê-las. E isso acontece com todos os livros! Alguns de maneira mais sutil e outros de um modo explícito.

Um grande exemplo dessa "teoria" é Dom Casmurro. Machado de Assis nos dá a oportunidade de interferir e finalizar sua obra. Ele nos dá pistas de que Capitu traiu Bentinho com Escobar ao mesmo tempo que nos mostra como isso pode ser improvável. A história de Capitu não termina no ponto final, ela perdura por décadas, até os dias de hoje.

Sempre há mais por trás de cada livro, cada história. As pessoas interpretam do seu jeito, cada um forma o seu final. Acho que essa é a finalidade dos livros, no fim das contas, aguçar nossa imaginação e nos fazer um pouco leitor e um pouco escritor.
Não sei se consegui expressar bem o meu ponto de vista, no chuveiro me pareceu bem mais claro e fácil de entender, mas é claro que esqueci boa parte do que pensei! HAHAHA /alegre Até qualquer dia, tchau! /amor